Minotauro, 2026 (por Peter P. Douglas)

Minotauro (Minotaur, 2026), longa-metragem dramático, coprodução França, Alemanha e Letônia, distribuído por Imovision e MUBI, estreia, oficialmente, nos cinemas brasileiros, a partir de 03 de dezembro de 2026, com classificação indicativa 16 anos e 135 minutos de duração, dirigido por Andrey Zvyagintsev e baseado no filme “A Mulher Infiel” (La Femme infidèle, 1969), escrito e dirigido por Claude Chabrol que também inspirou “Infiel” (2002), de Adrian Lyne.

“Minotauro” marca mais uma crítica de Andrey Zvyagintsev ao governo russo. Ambientado em 2022, durante a guerra russa-ucraniana, o filme acompanha Gleb (Dmitri Mazourov), um executivo com ligações políticas que recebe a ordem de decidir quais de seus funcionários serão enviados ao serviço militar obrigatório após a invasão da Ucrânia. A situação que já é pesada, fica pior quando ele descobre que a esposa, Galina (Iris Lebedeva), tem um caso. Ao investigar por conta própria, o controle que ele tenta manter começa a ruir.

A trama parte de “A Mulher Infiel” (1969), mas Zvyagintsev remove qualquer erotismo e substitui por um retrato direto das estruturas de poder e corrupção na Rússia atual. Filmado na Letônia, o longa é clínico e sombrio. A direção é fria, calculada, com ritmo lento. Em alguns momentos, isso funciona, como na cena de limpeza em tempo real. Em outros, se arrasta.

O protagonista Gleb é uma mistura de complexidade e apatia. Ele parece imperturbável diante do caos. Isso pode ser intencional, refletindo como figuras próximas ao poder se tornam insensíveis ao que acontece ao redor, ou pode ser limitação de atuação. Acredito mais na primeira possibilidade.

Vencedor do Grande Prêmio em Cannes 2026, “Minotauro” aborda diretamente a realidade russa em tempos de guerra, incluindo violência e corrupção política. Colocar o drama conjugal dentro do contexto da guerra adiciona peso. Para Zvyagintsev, o caso extraconjugal é secundário. O foco principal é o sistema: indivíduos esmagados, corrupção dominante, poder protegido de consequências. Esse é o verdadeiro monstro (citado no título) que devora tudo ao redor.

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