
Na época do lançamento do game de “Batman: Arkham Knight”, a versão de PC chegou aos jogadores totalmente problemática. Mas uma coisa ficou clara: sua história funcionaria em qualquer plataforma. A Rocksteady construiu uma narrativa sólida, com personagens bem definidos e motivações claras. Bruce tem mais razões para vestir o manto do que em qualquer jogo anterior. Se você jogou no console ou tolerou os problemas do PC, sabe muito bem que a trama entrega o que promete.
O livro contendo a novelização oficial de “Batman: Arkham Knight” segue a mesma premissa do jogo: Gotham sob ataque depois da morte do Coringa. O Espantalho lidera uma ofensiva com uma milícia armada e o apoio de um inimigo que se declara “Cavaleiro de Arkham”, cuja identidade pode ser óbvia para as pessoa que conheçam o universo do Batman. A narrativa alterna pontos de vista, mas acompanha principalmente o próprio Batman enquanto tenta retomar o controle da cidade. Gordon, servidores públicos e o Espantalho também ganham capítulos, e essa alternância é um dos acertos do livro.
A história é adaptada com fidelidade do jogo. Batman enfrenta o Espantalho enquanto lida com o desgaste psicológico causado pelas visões do falecido Coringa, que o provocam e o desestabilizam. O problema é que Marv Wolfman tenta desenvolver personagens por meio de exposições longas e mal posicionadas. Em momentos críticos, Batman interrompe ações urgentes para monologar sobre traumas antigos, como a morte dos pais, em conversas extensas. Isso não combina com o contexto de uma cidade tomada por criminosos e ameaçada por bioterrorismo. A repetição também atrapalha: informações já estabelecidas são retomadas várias vezes em pouco espaço, como o medo de Gordon pela segurança da filha.
A caracterização de alguns personagens funciona melhor. No jogo, Batman é rígido e quase robótico. No livro, ele ganha nuances, incluindo humor negro e momentos em que sua mente atormentada é explorada com mais clareza. O relacionamento com Barbara Gordon é mais convincente do que no jogo, mostrando proximidade real entre os dois. Wolfman consegue lembrar o leitor de que existe um homem por trás da máscara.
Como já dito, o game original tinha problemas de jogabilidade, não de história. A novelização mantém o que funciona e sofre com o resto: repetições e exposição excessiva. Para quem não pode jogar, o livro é uma alternativa, mas assistir à história completa no YouTube provavelmente entrega a experiência de forma mais eficiente.
Obs:. As publicações da editora Darkside Books sempre possuem uma qualidade formidável, as fazendo servir também como um item de decoração belíssimo na prateleira. Contudo, o atendimento tanto para o público, quanto para a imprensa, deixa muito a desejar. Se quiser adquirir um título da editora, recomendamos que procure um sebo ou, se puder, aguarde que a edição seja publicada por outras editoras.
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