
O Sorveteiro (Ice Cream Man, 2026), longa-metragem canadense de terror, distribuído pela Diamond Films, estreia, oficialmente, nos cinemas brasileiros, a partir de 03 de setembro de 2026, com classificação indicativa 18 anos e 86 minutos de duração, dirigido por Eli Roth.
“O Sorveteiro” começa como um típico filme de verão americano: jogo de softball entre dois times rivais do ensino médio, com todos os estereótipos possíveis — valentões musculosos, atletas bonitinhos, nerds. Jared (Charlie Zeltzer) é o garoto magro e debochado que não joga bem, mas é popular o suficiente para sobreviver ao ambiente.
Quando o jogo termina, o técnico resolve comprar sorvete para todos em um caminhão comandado por um sorveteiro magro, pálido, bem‑vestido, de bigode estranho e silêncio absoluto que sorri e distribui as guloseimas com nomes como “pântano”, “assustador” e “viscoso”, servidas em embalagens ilustradas com insetos.
Jared recusa — intolerância à lactose — e vai embora com a irmã mais velha Lizzie (Sarah Abbott). No caminho, vê Mia, uma colega da escola, vomitando na rua. Mais tarde, ela solta uma piada irônica sobre como meninas de 12 anos sabem se fazer vomitar – remetendo aos blogs dos anos 2000, “ana” e “mia”, cujos nomes eram uma referência direta a dois transtornos alimentares: anorexia e bulimia.
Em casa, os pais pressionam Lizzie a seguir a carreira jurídica da família. A cena expõe em seus diálogos ruins que a “normalidade” da família vai durar pouco. Na manhã seguinte, Jared nota colegas com manchas coloridas ao redor da boca, andando como zumbis: lentos, silenciosos, apáticos.
Na escola, só Jared, Mia e Tommy parecem normais. Professores acham que é brincadeira. Não é. As crianças hipnotizadas começam a atacar professores e pais com qualquer coisa que encontram. A escola vira um massacre. Os zumbis catatônicos se transformam em máquinas de matar histéricas.
Os efeitos especiais — ignorando alguns trechos com IA generativa — são competentes. Para quem gosta de gore estilizado, há material suficiente. A história é previsível, mas funciona. As reviravoltas são fáceis de antecipar, mas não atrapalham. O filme sabe exatamente o que é e abraça isso.
A explicação da motivação para o sorveteiro buscar vingança é forçada, mas aceitável dentro do gênero. O protagonista vilanesco interpretado por Ari Millen não precisa falar nada para funcionar: a presença dele é sinistra, especialmente quando o filme o deixa apenas existir em segundo plano enquanto tudo ao redor degringola. Mais uma vez: o elenco lida bem com os diálogos absurdos.
A grande falha do filme não é o uso de IA, e sim a estupidez dos adultos. Personagens de terror raramente tomam decisões inteligentes, mas aqui o nível é extremo. Há momentos em que a única reação possível é pensar: “Sério? Ninguém percebe isso?”
Mesmo assim, novamente: o filme diverte. Pena que essa afirmação venha se perdendo nas redes sociais em meio a críticas exageradas por motivos que nem mesmo quem critica sabe realmente porque está criticando. Sim, há diálogos ruins, personagens idiotas, história pouco original e atuações vacilantes. Mas é divertido. Parece algo que você encontraria numa prateleira de locadora ao lado de pérolas trash dos anos 80 e 90. Apesar de suas polêmicas “O Sorveteiro” é um terror B surpreendentemente divertido. Longe de perfeito, mas divertido. Às vezes, é exatamente isso que se espera de um filme do gênero.












