
Minions & Monstros (Minions & Monsters, 2026), longa-metragem estadunidense de animação, distribuído pela Universal Pictures, estreia, oficialmente, nos cinemas brasileiros, a partir de 01 de julho de 2026, com classificação indicativa 10 anos e 90 minutos de duração.
Enquanto Pixar e DreamWorks seguem firmes na missão de transformar animação em terapia emocional, os Minions continuam sendo os Minions: puro caos amarelo, pastelão, grunhidos indecifráveis e energia de desenho animado dos anos 40. Em “Minions & Monstros”, eles trazem tudo isso de volta — mas, surpreendentemente, com um toque mais maduro. A pergunta é: alguém realmente pediu Minions mais maduros?
O filme ainda entrega boas risadas e aquele caos característico, e a viagem pela história do cinema é uma surpresa adorável. Mas os próprios Minions parecem menos engraçados desta vez, como se tivessem sido colocados em um filme que não é exatamente deles. A sensação é de um curta esticado até virar longa. “Minions & Monstros” é um “bom filme dos Minions”, mas não chega a ser um “ótimo filme dos Minions”.
Alguns críticos vão amar — e com razão. O filme é uma carta de amor ao cinema, passeando por eras e momentos-chave da sétima arte. É encantador, feito com carinho e perfeito para cinéfilos adultos que adoram referências. Mas fico imaginando se o público infantil vai se empolgar com homenagens a Chaplin, Buster Keaton ou “O Grande Roubo do Trem” (1903). Criança geralmente quer Minion batendo a cabeça na parede, não história do cinema.
A vantagem da franquia derivada é que os Minions podem ser completamente liberados, sem precisar se encaixar na trama de “Meu Malvado Favorito”. Só que aqui eles parecem… contidos. Quase humanos. E isso tira um pouco da graça. É como se tivessem sido colocados dentro de outro filme, em vez de “Minions & Monstros” ser um filme totalmente pensado para eles.
Claro, “contidos” é relativo — ainda há caos suficiente para deixar qualquer adulto exausto. A sequência de abertura é deliciosa, com quase nenhum diálogo além do clássico “minionês”. E o terceiro ato é frenético, cheio de energia, daqueles que fazem o público sorrir do início ao fim.
Mas entre esse começo divertido e o clímax, o filme se perde. Várias vezes me peguei pensando: “Para onde isso está indo?”. Parece que está preparando uma piada, uma cena maluca… e aí simplesmente segue em frente sem que haja uma recompensa.
Os Minions conjuram monstros sobrenaturais de um livro de feitiços para usar no filme — literalmente “magia de cinema”. No final, descobrimos que tudo era uma produção interna dos Minions, nada real… embora os créditos finais deixem uma pulga atrás da orelha sobre o livro de feitiços. A magia aqui é mais clichê cinematográfico do que algo sinistro, mas espectadores sensíveis ao tema podem estranhar.
No fim, deve-se elogiar “Minions & Monstros” pela tentativa de contar uma história com mais substância do que apenas pastelão, porém sentimos falta de mais Minions. E nunca imaginamos que uma das melhores homenagens ao cinema clássico viria dessa franquia. Mesmo assim, seja entre os melhores ou piores da série, Minions são Minions — e isso, como já ficou claro inúmeras vezes, é tudo o que realmente importa.
















