O Diabo Veste Prada 1 (por Casal Doug Kelly)

Em “O Diabo Veste Prada 1” (The Devil Wears Prada, 2006), acompanhamos Andy Sachs (Anne Hathaway) que consegue um emprego como assistente pessoal júnior de Miranda Priestly (Meryl Streep), a editora da revista Runway — também conhecida como “a mulher que faz CEOs tremerem só de ouvir o salto dela no corredor”. Perdida no novo trabalho, Andy recorre a Nigel (Stanley Tucci), diretor de arte e guru espiritual fashion, para aprender a sobreviver no ambiente competitivo e ligeiramente infernal do jornalismo de moda. Depois de adotar roupas que custam o equivalente ao aluguel de um apartamento e atender às exigências absurdas de Miranda, Andy começa a subir na hierarquia. Ou, pelo menos, a não ser demitida diariamente, o que já é uma vitória.

“O Diabo Veste Prada 1” funciona em vários níveis. Como entretenimento puro, é brilhante — humor negro, diálogos afiados e momentos que fazem você rir e, estranhamente, refletir sobre sua própria vida enquanto tenta lembrar onde deixou sua autoestima.

Mas também oferece reflexões certeiras sobre o mundo superficial e tóxico da alta costura. Qualquer pessoa que já tenha trabalhado em um ambiente disfuncional vai sentir aquele frio na espinha ao ver Andy dizendo que ficará “só um ano” e, em poucos meses, já estar completamente transformada. A toxicidade é contagiosa, e o filme mostra isso com precisão cirúrgica.

Miranda é praticamente um estudo ambulante de Transtorno de Personalidade Narcisista — e Meryl Streep interpreta isso com tanta perfeição que você quase acredita que ela realmente pode destruir carreiras com um levantar de sobrancelha. Todas as atuações são excelentes, dando profundidade a personagens que poderiam facilmente ter sido caricaturas.

Stanley Tucci, como sempre, entrega tudo. Ele interpreta personagens gays com tanta naturalidade e charme que serve como resposta elegante aos puritanos que insistem em limitar quem pode interpretar quem. Ele simplesmente arrasa.

Mas a verdadeira ladra de cenas é Emily Charlton, interpretada por Emily Blunt. Sarcástica, irônica, ácida — ela é praticamente um ser de energia pura alimentado por café e desespero. Não é à toa que as críticas da época destacaram sua atuação. Ela aparece e o filme ganha vida.

“O Diabo Veste Prada 1” está longe de ser superficial. Tem nuances e profundidade que não estavam presentes no romance original — e isso o torna ainda melhor. Sua sequência, lançada em 2026, não chega ao mesmo nível, mas, sinceramente, só o fato de existir já deixa os fãs felizes.

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