O Convite, 2026 (por Peter P. Douglas)

O Convite (The Invite, 2026), longa-metragem estadunidense de comédia dramática, distribuído pela O2 Play, estreia, oficialmente, nos cinemas brasileiros, a partir de 09 de julho de 2026, com classificação indicativa 16 anos e 107 minutos de duração, tratando-se de um remake.

Misturando um pouco de drama com uma ou duas doses de humor nonsense e um pouco de tensão emocional, o novo trabalho de Olivia Wilde, “O Convite”, entra facilmente em uma rica linhagem de comédias sexuais hilariamente constrangedoras.

Com um elenco invejável de protagonistas que conta com a própria diretora (Wilde), Seth Rogen, Edward Norton e Penélope Cruz, tudo funciona muito bem junto, e o resultado é um filme direto, ousado e muitas vezes realmente engraçado. E olha que é preciso um talento quase sobrenatural para fazer uma discussão doméstica parecer espontânea.

A obra original, “Sentimental” (The People Upstairs, 2020), de Cesc Gay, é transportada de Barcelona para São Francisco, cidade que já simbolizou o amor livre, mas onde o casal Joe (Rogen) e Angela (Wilde) mal consegue se entender. Joe (ex-músico e atual professor de música) volta para o apartamento de luxo – que herdou de seus pais – depois de um dia ruim no serviço e encontra Angela preparando uma tábua de queijos e “presunto”. A filha de 12 anos não está em casa, e os vizinhos do andar de cima — aqueles que fazem barulho sexual a noite inteira — foram convidados para conhecer o apartamento recém-reformado. Joe, com dor nas costas e vontade de fumar um baseado, detesta a ideia e começa a discutir. Ele está irritado e sem paciência, tudo isso enquanto a trilha de Devonté Hynes (Blood Orange) parece invadir seus pensamentos.

A discussão continua mesmo quando os vizinhos Hawk, ex‑bombeiro (Norton), e Pína, terapeuta sexual (Cruz), chegam. Eles ouvem a briga, mas ficam. Hawk está encantado com o apartamento, o tapete e com a energia do lugar. Pína está animada e passa a estudar o casal em crise. A forma leve como os dois interagem — incluindo palavras carinhosas em espanhol — deixa Joe ainda mais incomodado. Ele se pergunta o que eles têm que ele e Angela não têm. E claro, tem a parte do swing (mas para entenderem melhor, assistam ao filme).

É preciso habilidade para fazer com que toda a interação pareça natural. A direção coloca cada personagem em destaque no momento certo, sem depender apenas das risadas de Rogen, e usa bem o apartamento elegante, mas impessoal, para mostrar mais sobre cada um. O roteiro de Will McCormack e Rashida Jones dá aos quatro atores falas muito bem construídas.

É mais correto chamar “O Convite” de uma comédia sobre sexo — sobre como ele afeta os relacionamentos, o que acontece quando ele falta e quando é o momento certo para tocar em certos assuntos — do que de uma comédia em que as pessoas simplesmente fazem muito sexo. A sinceridade é o tema central, e é interessante vê-la tratada de forma tão incisiva.

Lá para o final, o filme muda de tom e assume um lado mais sério, trocando o humor por uma reflexão mais triste sobre casamento. A mudança funciona, mas destoa um pouco do clima inicial. Mesmo assim, é um retorno sólido de Olivia Wilde na direção, reencontrando o ritmo depois do tropeço de “Não Se Preocupe, Querida” (Don’t Worry Darling, 2022). E fica a dica: quando estrear, você pode colocar o alarme e chamar os vizinhos para assistirem juntos… Ou não.

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