X-Men ´97 – 1ª Temporada (por André Sanchez)

André Sanchez

“X-Men 97” é sabor anos 90 com cobertura 2024

Criada por Beau DeMayo, “X-Men ’97” não apenas amplia a série original, como demonstra que conceitos clássicos sempre podem ser explorados de maneira grandiosa. Se fosse para resumir “X-Men ’97” em apenas uma palavra, ela seria: amor.

Muito além de uma continuação da clássica animação dos anos 1990 que marcou gerações, a produção retoma a narrativa exatamente de onde a irregular quinta temporada terminou. Mantendo grande parte do visual, da identidade e do elenco de dubladores originais, a série expande a escala de tudo o que veio antes, sem jamais esquecer sua essência.

No momento atual, a Marvel precisava mais do que nunca de uma série como “X-Men ’97”. Além de reintroduzir os mutantes para uma nova geração, a produção estabelece conceitos fundamentais para o futuro da franquia. Não por acaso, Jake Schreier, responsável pelo reboot dos X-Men no MCU, já afirmou que pretende priorizar a dinâmica de grupo, a psicologia dos personagens e os conflitos ideológicos, exatamente a tríade que Beau DeMayo coloca no centro desta temporada.

A série começa de forma semelhante à animação original, mas parte do pressuposto de que boa parte do público já conhece seus protagonistas. Assim, evita longas apresentações e utiliza Roberto da Costa como o olhar de quem está chegando agora, conduzindo o espectador por um universo já consolidado sem comprometer o ritmo da narrativa.

Uma das maiores surpresas da temporada é a ampliação do papel de Magneto. Assumindo o legado deixado após a aparente morte de Charles Xavier, Erik Lehnsherr se torna o centro da abordagem política e social da série. Os X-Men sempre foram uma metáfora para o preconceito, mas aqui as analogias com temas contemporâneos, como racismo e homofobia, permanecem extremamente relevantes e culminam em um dos momentos mais importantes da temporada: quando alguns personagens são obrigados a admitir que, em determinados aspectos, “Magneto estava certo”.

Em contraste com esse lado mais político, a série também dedica grande atenção ao amor.

Jean Grey e Ciclope vivem um relacionamento constantemente colocado à prova, enquanto Wolverine continua representando o terceiro vértice desse triângulo amoroso. No entanto, é através de Vampira e Gambit que a narrativa constrói sua reflexão mais poderosa sobre o significado de amar e ser amado.

O romance entre uma das personagens mais trágicas dos X-Men e o carismático Gambit cresce de maneira surpreendente ao longo da temporada, atingindo seu ápice no quinto episódio. A partir dessa relação, a série discute como o amor pode ser a última esperança quando tudo parece perdido. Essa ideia atravessa diversos diálogos e conflitos, mas é nesse casal que ela alcança sua expressão mais emocionante.

Ao longo de apenas dez episódios, a produção adapta algumas das sagas mais importantes dos quadrinhos dos X-Men, condensando arcos complexos em poucos capítulos sem perder sua força dramática. O caso de Madelyne Pryor é um bom exemplo: uma personagem extremamente rica nas HQs recebe uma adaptação bastante acelerada, mas ainda assim eficiente dentro da proposta da série. Fica evidente que Beau DeMayo prioriza uma narrativa dinâmica, mesmo que isso signifique sacrificar parte do desenvolvimento de algumas histórias.

Tecnicamente, a animação impressiona em todos os aspectos.

Diferentemente de outras produções contemporâneas, cada quadro de “X-Men ’97” parece cuidadosamente planejado para provocar impacto emocional. O trabalho de iluminação, a escolha das cores, o traço que remete ao 2D clássico e, principalmente, as sequências de ação demonstram um enorme cuidado em explorar ao máximo os poderes e as combinações entre os personagens. Desde o primeiro episódio, a série deixa claro que sua ambição vai muito além do simples fanservice: trata-se de uma celebração genuína do universo mutante.

Naturalmente, existem momentos de respiro. O arco de Tempestade, a aventura de Jubileu e Roberto contra Mojo e até mesmo a jornada de Xavier funcionam como pausas narrativas entre os grandes acontecimentos. Embora diminuam um pouco o ritmo da temporada, esses episódios ajudam a preparar o terreno para conflitos ainda maiores.

E quando a série decide acelerar novamente, faz isso com enorme competência.

A sequência final da temporada entrega algumas das cenas mais espetaculares de toda a produção. O confronto derradeiro impressiona não apenas pela ação, mas também pelo peso dramático. No centro de tudo está um intenso embate ideológico entre Xavier e Magneto, dois antigos amigos que representam visões completamente diferentes sobre o futuro dos mutantes, e que mesmo assim amam e respeitam um ao outro. 

Baseando-se, acima de tudo, na força de seus personagens, “X-Men ’97” representa o que há de melhor no universo dos X-Men. Com emoção, grandiosidade e sequências memoráveis, a série prova que ainda existem muitas histórias relevantes para contar, e que o futuro dos mutantes na Marvel parece mais promissor do que nunca.

“X-Men 97” está disponível no “Disney Plus”.

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