
A pergunta é simples: por que “Do Fundo do Mar 2” (Deep Blue Sea 2, 2018), feito quase duas décadas depois de seu antecessor existe? A resposta também é simples: para enganar quem gostou do filme de 1999. É uma cópia barata, sem energia, sem criatividade, feita apenas para usar um título reconhecível e arrancar algum dinheiro de quem espera outro thriller de tubarão divertido. Fora isso, não há justificativa.
Uma continuação deveria expandir ideias, reinventar o conceito ou ao menos entregar algo novo. “Do Fundo do Mar 2” não tenta nada. É o mesmo filme, com pequenas alterações, orçamento menor, personagens genéricos e impacto quase nulo. O pior: quase não há ataques de tubarão. Uma sequência com cinco tubarões que mal aparecem. Eles deixam gente nadar tranquilamente. É quase cômico.
A estrutura é idêntica ao original: laboratório flutuante, experimentos duvidosos, tubarões inteligentes escapando, estação inundando, personagens tentando sobreviver. A diferença é que tudo aqui parece versão “Não Saffron Burrows”, “Não Samuel L. Jackson”, “Não Thomas Jane” e “Não Michael Rapaport”. São personagens que lembram os antigos, mas sem personalidade. Semi‑dimensionais.
O “novo Thomas Jane” só revela algo sobre si no final — que é ex‑militar — e isso é literalmente a única informação relevante sobre ele. Ele existe apenas para estar presente quando o roteiro precisa.
A premissa também é reciclada: o ricaço “Não Sam Jackson” recruta a cientista “Não Saffron Burrows” para ajudá-lo com tubarões‑touro modificados. No original, era Alzheimer; aqui, são drogas nootrópicas para “salvar a humanidade da obsolescência diante da IA”. Ele repete essa ideia tantas vezes que parece mais falta de texto do que obsessão do personagem. Ele toma as drogas, mas quase não demonstra comportamento errático. Só vira vilão quando o roteiro precisa.
A cientista pergunta: “Não sei por que você me trouxe aqui”. O espectador pensa o mesmo. Ela está ali apenas para ouvir explicações e depois explicar por que tudo está dando errado. Seu conhecimento quase nunca salva ninguém.
A única tentativa de novidade — tubarões mutantes minúsculos, “super‑piranhas” — é só desculpa para economizar dinheiro. Em vez de tubarões grandes, o filme usa água borbulhante em corredores apertados para simular ameaça. É a solução mais barata possível.
Até a trilha sonora denuncia o fracasso. No original, o ator LL Cool J entregou o rap “Deepest, Bluest, My Hat is Like a Shark’s Fin”. Aqui, a sequência abre com uma música melancólica de lounge, digna de romance de sereia dos anos 60. E sim, ela combina perfeitamente com o filme sem graça que vem depois. “No Fundo do Mar 2” não é só ruim. É desnecessário.












