Ameaça no Ar (por Casal Doug Kelly)

O primeiro trabalho de Mel Gibson como diretor em quase dez anos chega meio torto, meio maluco e totalmente imprevisível. Ameaça no Ar (Flight Risk, 2025) é uma aventura cheia de ação, adrenalina e exagero — aquele tipo de filme que você assiste com pipoca na mão e zero neurônios em atividade. É tão absurdo que você ri mais do que fica tenso.

A trama começa com uma agente federal (Michelle Dockery) embarcando num avião minúsculo para transportar Winston (Topher Grace), uma testemunha importante, até Nova York. O piloto? Daryl, interpretado por Mark Wahlberg, que já entra em cena com aquela feição de “algo muito errado vai acontecer”. E acontece. Porque, claro, ninguém ali é exatamente quem parece ser. E tudo isso enquanto sobrevoam o Alasca — porque se é para dar errado, que seja no meio do gelo.

Desde o primeiro segundo em que Wahlberg aparece, já dá para sentir que vem bagunça. Não tinhamos visto trailer nenhum, só uns trechinhos soltos nas redes sociais, então imagina a surpresa ao descobrir que Wahlberg é o vilão. E não um vilão qualquer: ele está se divertindo tanto no papel que até raspou a cabeça para entrar no clima. É o tipo de atuação que grita “finalmente me deixaram ser malvado”.

Topher Grace também está ótimo como Winston, o nerd de informática que lavava dinheiro para um chefão do crime e agora precisa depor contra o ex-chefe. É um papel simples, mas Grace entrega direitinho — e a evolução do personagem ao longo do filme é essencial para manter o público preso. Ele é meio desajeitado, meio surtado, meio azarado… e totalmente divertido.

Mel Gibson, por sua vez, mostra que ainda sabe dirigir como poucos. Um dos elementos mais surpreendentes é o efeito claustrofóbico: como quase tudo acontece dentro do avião, quando a situação degringola, você sente a tensão na espinha. É apertado, é sufocante, é caótico.

Mas o que realmente pega de surpresa é o humor. Não esperávamos que o filme fosse tão engraçado, mas Jared Rosenberg escreveu momentos cômicos tão bem encaixados que você ri sem culpa. Desde as palhaçadas sinistras de Daryl, passando pelos surtos hilários de Winston, até os dialógos de Hassan (Maaz Ali), o operador atrapalhado que ajuda no plano de pousar o avião.

No fim das contas, “Ameaça no Ar” é exatamente o que você quer quando procura algo rápido, leve e divertido. Tem ação do começo ao fim, tem comédia inesperada, tem Wahlberg de vilão psicopata e tem Mel Gibson mostrando que ainda sabe muito dirigir.

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