O Homem Que Sussurra (por Casal Doug Kelly)

O Homem Que Sussurra (The Whisper Man, 2026) é exatamente o tipo de thriller policial sombrio que, em seus 112 minutos de duração, parece ter saído direto dos anos 90. Não é uma obra‑prima, mas funciona — e, para quem sente falta desse tipo de filme, já é suficiente. Trata-se de uma adaptação do livro homônimo de estreia do escritor Alex North.

A história acompanha Tom Kennedy (Adam Scott), viúvo recente que se muda com o filho Jake para sua cidade natal. Lá, uma criança desaparece, e a detetive Amanda Beck (Michelle Monaghan) suspeita de ligação com um caso antigo envolvendo o serial killer Frank Carter (Michael Keaton), conhecido como “O Homem Que Sussurra”. Quando Jake desaparece, Tom e Beck recorrem ao detetive aposentado Pete Willis (Robert De Niro), que prendeu Carter décadas antes e sempre acreditou que havia um cúmplice.

O filme abraça a estética dos thrillers psicológicos dos anos 90: iluminação escura, ritmo cadenciado, clima melancólico. É nostalgia pura — aquela sensação de assistir a um suspense policial com serial killer em uma noite qualquer, como acontecia antes do gênero virar raridade. A produção reforça isso com escolhas visuais e sonoras que parecem deliberadas.

O problema é que, depois de um começo forte, o segundo ato cai no previsível. Quem conhece o gênero vai antecipar as reviravoltas. A trama segue padrões familiares, e o impacto inicial se dilui. Ainda assim, o filme se mantém acima da média, especialmente considerando que thrillers desse tipo quase não recebem mais atenção de grandes estúdios.

“O Homem Que Sussurra” não é brilhante, mas é sólido. É o tipo de filme que, há 20 anos, seria apenas “mais um bom thriller policial” — hoje, vira quase um presente. Não reinventa nada, não surpreende tanto, mas entrega exatamente o que promete: um suspense sombrio, competente e com elenco conhecido.

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