
Dirigido por Pal Oie, o longa-metragem norueguês “Kraken: O Terror das Profundezas” (Kraken, 2026) começa bem: um ataque inicial forte, visualmente dinâmico, que promete um filme de monstro com personalidade. Depois disso, cai no piloto automático. A estrutura é basicamente “Tubarão” (1975), só que com etapas extras que não acrescentam nada. Em vez de uma praia lotada, temos o Sognefjord, o fiorde mais profundo da Noruega. Em vez de um prefeito interesseiro, temos um empresário ganancioso tentando impressionar investidores japoneses. A fórmula é a mesma, só mais inchada.
A trama gira em torno de Johanne (Sara Khorami), bióloga marinha que investiga mortes misteriosas ligadas à piscicultura de Jostein (Oyvind Brandtzaeg). A tecnologia “Piolho Sônico”, usada para eliminar parasitas dos salmões, desloca peixes e acaba atraindo a criatura que mata dois caiaquistas. Surge um conflito entre Johanne e Jostein, mas nada disso ganha profundidade. Johanne é a cientista cética padrão, ignorada por todos, e a atriz não tem material suficiente para transformar a personagem em algo mais interessante.
O filme desperdiça relações que poderiam sustentar o drama: Johanne e Maria (Jenny Evensen), a filha denunciante de Jostein; Johanne e Erik (Mikael Bratt Silset), ex‑colega e antigo amor; Jostein e o financista Shiro (Etsuro Endo). Nada disso é explorado.
O público (assim como eu) com certeza assiste a um filme chamado “Kraken: O Terror das Profundezas” para ver tentáculos gigantes destruindo coisas. O filme não entrega. Há pouco tempo de tela para o monstro, e os efeitos especiais são fracos, sem ritmo, sem coreografia, sem impacto.
A trama ecológica — tecnologia sonora afetando o ecossistema — é tratada como desculpa para cenas de ação que não funcionam. Os cineastas sugerem que esses elementos importam, mas nunca os tornam importantes para o espectador.
E aí surge o paradoxo: como já dito, ninguém vai assistir a um filme como esse pela profundidade dramática, mas é exatamente isso que a obra oferece. Criticar por não ser uma vitrine de efeitos especiais seria injusto — o problema é que ele tenta ser duas coisas e falha nas duas. Os clichês não incomodam por serem clichês, mas por parecerem desgastados e inferiores. Outros filmes melhores vêm à mente o tempo todo, não porque “Kraken: O Terror das Profundezas” seja péssimo, mas porque poderia ter sido muito mais. No fim, é previsível, irregular e sem o espetáculo que o título sugere.












