Marsupilami – Confusão a Bordo (por Casal Doug Kelly)

Marsupilami – Confusão a Bordo (Marsupilami, 2026), longa-metragem francês live-action, distribuído pela Paris Filmes, estreia, oficialmente, nos cinemas brasileiros, a partir de 23 de julho de 2026, com classificação indicativa 12 anos e 99 minutos de duração.

Lançado já há algum tempo na europa, “Marsupilami – Confusão a Bordo”, se consolidou como um dos maiores sucessos franceses de 2026, com mais de cinco milhões de espectadores indo aos cinemas em poucas semanas. Esse fato confirma como o ator e diretor Philippe Lacheau e sua famosa Bande à Fifi (trupe de comédia francesa, descoberta no programa “Le Grand Journal” do Canal+ em 2005, especializada em humor pastelão) têm um poder quase sobrenatural de atrair famílias inteiras ao cinema.

É claro que o anúncio de um novo filme do Marsupilami (personagem criado por André Franquin) levantaria dúvidas. Desde sua criação em 1952, nas aventuras de “Spirou e Fantasio”, a criatura amarela de pintas pretas, força absurda e cauda interminável sempre pareceu difícil de adaptar. Alain Chabat tentou em 2012 com “Na Pista do Marsupilami”, um filme simpático, mas que não consolidou o personagem no cinema.

Quatorze anos depois, Lacheau, Julien Arruti, Pierre Lacheau e Pierre Dudan decidiram não repetir a fórmula: abraçaram sua própria visão e transformaram o Marsupilami na força central de uma comédia de aventura moderna, onde o humor desenfreado da Bande à Fifi serve ao personagem — e não o contrário.

A história acompanha David Ticoule (Lacheau), que aceita uma missão duvidosa de seu chefe (Jean Reno) para salvar o emprego: trazer de volta um pacote misterioso da América do Sul. Ele embarca num cruzeiro com sua ex‑namorada Tess (Élodie Fontan), seu filho Léo e o colega Stéphane (Tarek Boudali). A confusão começa quando o pacote revela seu segredo: um adorável filhote de Marsupilami. A partir daí, o filme abraça sua premissa absurda, acumulando aventuras mirabolantes, perseguições, desastres e piadas visuais num ritmo frenético. Em vários momentos, lembra as grandes comédias familiares americanas dos anos 1980 e 1990 — e presta homenagem a elas sem vergonha nenhuma.

Um dos maiores trunfos do filme é agradar várias gerações ao mesmo tempo. As crianças se apaixonam instantaneamente pelo bebê Marsupilami. Os adultos se divertem identificando as referências espalhadas pela história: “E.T.”, “Gremlins”, “Top Gun”, “Titanic”, “Jurassic Park”, “Dragon Ball Z”, “Os Goonies”, é sensacional.

Importante ressaltar que, Jamel Debbouze, reprisa Pablito Camaron (que já havia aparecido na primeira versão live action de 2012) e entrega uma de suas melhores performances em anos. O elenco reunido em torno de Lacheau é impressionante divertido e contribui enormemente para o prazer de assistir ao filme.

“Marsupilami – Confusão a Bordo” não é um filme revolucionário, porém, ele cumpre plenamente o que promete: entreter, fazer rir e encantar espectadores de todas as idades. Philippe Lacheau mostra que é possível reinterpretar um ícone do patrimônio franco‑belga respeitando seu espírito original, e, acima de tudo, mantendo o Marsupilami tão carismático quanto sempre foi.

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