
É um filme de terror sobre estrada… e, como toda viagem longa, começa bem, mas lá pela metade você já quer voltar pra casa
Passageiro do Mal (Passenger, 2026), de forma bem simples, é um filme de terror sobre uma viagem de carro na estrada onde acompanhamos um jovem casal perseguido por uma entidade sobrenatural aterrorizante.
Dirigido pelo norueguês André Ovreda, o longa conta a história de Tyler (Jacon Scipio) e Maddie (Lou Llobell), recém‑noivos que vendem o apartamento no Brooklyn e decidem viver na estrada. Seis semanas viajando pelo país numa van equipada é o sonho de Tyler; para Maddie, é mais um daqueles sonhos que parecem ótimos no Pinterest, mas viram pesadelo na vida real.
Enquanto dirigem por uma estrada rural escura no Colorado (provavelmente no Colorado… quem sabe), eles param para ajudar um estranho que bateu o carro numa árvore. E, claro, como manda o manual do terror, ao parar eles atraem uma entidade maligna que se gruda neles como vírus de Wi‑Fi público. O primeiro sinal de que algo está errado são três arranhões profundos na lateral da van — os mesmos que Maddie viu no carro do acidentado. Mas, como estamos num filme de terror, arranhões são só o aperitivo.
Maddie é a primeira a ter visões de um velho assustador: cabelos ralos, pele pálida, olhos fundos — aquele combo clássico de “isso definitivamente não é um humano saudável”. Logo Tyler também começa a ver a figura. Eles descobrem que se trata de uma entidade conhecida como “O Passageiro”, que persegue, assombra e mata viajantes azarados que ousam parar na estrada à noite. Depois de sobreviverem aos primeiros ataques, Tyler e Maddie precisam descobrir como matar o Passageiro antes que ele os adicione à sua lista de vítimas — que, aparentemente, é longa.
Apesar da familiaridade, a história se constrói de forma interessante. A perspectiva da vida em uma van é cativante, e o diretor incorpora de maneira inteligente “O Código dos Viajantes” à narrativa. Visualmente, realiza truques incríveis — alguns que eu nem sei se já vi antes. Há uma sequência com câmera giratória num estacionamento que é genuinamente arrepiante, e outra que usa a luz de um projetor de cinema ao ar livre de forma brilhante.
Mas, como toda viagem longa, o filme se perde depois da metade. Os clichês começam a se acumular, os jump scaries viram rotina e Melissa Leo é subaproveitada como a senhora gentil e misteriosa que avisa Tyler e Maddie para evitarem “estradas tranquilas” — aviso que chega tarde demais e desaparece tão rápido quanto ela. Ela só volta no final para conduzir o casal a um desfecho que não entrega a tensão necessária.
No fim, “Passageiro do Mal” é um filme de terror bem feito e visualmente inspirado, mas que fica sem ideias originais antes dos créditos finais. A direção precisa e as boas atuações mantêm o início promissor, mas com o tempo o cansaço aparece, e a jornada se torna monótona. Há bom trabalho técnico e algumas cenas grotescas para apreciar, mas, precisava de algo mais para realmente se destacar.
















