Toy Story 5 (por Casal Doug Kelly)

Toy Story 5 (2026), longa-metragem estadunidense de animação, distribuído pela The Walt Disney, estreia, oficialmente, nos cinemas brasileiros, a partir de 18 de junho de 2026, com classificação indicativa 6 anos e 102 minutos de duração.

O grande assunto em torno do anúncio de “Toy Story 5” foi exatamente o mesmo que rondou “Toy Story 4”: não tanto entusiasmo, mas sim aquele clássico “precisa mesmo?”. Afinal, já tínhamos dois finais perfeitos. Toy Story 3″ encerrou a história de Andy de forma tão definitiva que parecia até terapia coletiva. Seu sucessor veio como epílogo elegante, dando a Woody e aos demais brinquedos o seu próprio fechamento emocional. Então, sim, parecia que não havia mais nada para contar sem a Pixar ter que forçar a barra.

Mas, assistindo a “Toy Story 5”, percebe-se que, surpreendentemente, existe uma progressão natural possível — só não exatamente necessária. É tipo aquela sobremesa extra depois de já estar satisfeito: não precisava, mas você come mesmo assim.

Reencontramos Buzz (Tim Allen), Jessie (Joan Cusack) e o resto da turma tentando ajudar Bonnie a fazer novos amigos em um mundo que está evoluindo rápido demais e deixando os brinquedos para trás. A situação piora quando ela ganha a nova febre infantil: um tablet chamado Lilypad (Greta Lee), que é basicamente a maior ameaça à existência dos brinquedos desde… bem, desde todas as outras ameaças anteriores. Com a ajuda de Woody (Tom Hanks), os brinquedos declaram guerra à tecnologia — o que, como Rex diz, “de novo não!”.

Se tem algo que a Pixar sempre acertou, especialmente na franquia “Toy Story”, é o equilíbrio perfeito entre falar com crianças e adultos ao mesmo tempo. Se você cresceu com esses filmes, como nós, sabe que eles sempre foram sobre imaginação, amizade e aquele sentimento de que seus brinquedos tinham uma vida secreta. Agora, com a tecnologia avançando, é fácil deixar esses personagens para trás — e é exatamente por isso que o filme funciona. Ele fala sobre envelhecer, sobre seguir em frente, sobre a calvície do Woody (sim, isso é um tema), e sobre como Lilypad influencia Bonnie de maneiras mais metafóricas do que literais. A mensagem central é simples e bonita: amizade verdadeira e conexões reais ainda importam, mesmo num mundo cheio de telas.

Mas se você espera mais uma aventura centrada em Woody e Buzz, prepare-se para uma leve frustração. O arco do Woody está tão completo que, honestamente, ele nem precisava aparecer. Ele aparece, claro — porque é Woody — mas esta é, sem sombra de dúvida, a história da Jessie. O filme parece mais uma sequência espiritual de “Toy Story 2” do que de “Toy Story 4”.

O problema é que, ao focar tanto em Jessie, Woody e Buzz acabam relegados a papéis secundários. E isso significa que personagens como Rex, Porquinho e Sr. Cabeça de Batata praticamente não têm espaço. Eles estão lá, acumulando poeira desde o terceiro filme, e o roteiro simplesmente não sabe mais o que fazer com eles.

O filme também introduz novos brinquedos tecnológicos, incluindo o hilário “Amigo Rolinho” (Conan O’Brien) — um dispositivo de treinamento para usar o banheiro. Sim, você leu isso. E sim, é tão absurdo quanto parece. Além disso, há uma subtrama envolvendo um exército de Buzz Lightyears de alta tecnologia que aparece de vez em quando, só para você lembrar que existe. É divertido, mas parece ter sido retirado de outro filme e colado aqui porque alguém gostou demais da ideia para deixar morrer.

No fim, a história se resolve bem, mas algumas partes ficam deslocadas, como se o filme estivesse tentando equilibrar mais pratos do que deveria.

No momento, é possível dizer que este é o nosso menos favorito da franquia — por uma margem considerável. Mas isso só reforça o quão bons esses filmes são, porque mesmo o “menos favorito” ainda é ótimo. É sempre um prazer revisitar esses personagens, e o tempo realmente voa — ou cai com estilo — quando estamos com eles. É como reencontrar velhos amigos que agora te dizem: “Está tudo bem crescer”. E lá estamos nós, adultos, chorando por brinquedos de novo.

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