
Em “Até a Morte: Sobreviver É a Melhor Vingança (Till Death, 2021), Emma (Megan Fox) está comemorando mais um ano de casamento — o que, no caso dela, significa mais um ano sobrevivendo a um marido tóxico com cara de quem faz terapia só para manipular melhor as pessoas. Mark (Eoin Macken), o dito cujo, decide que quer tornar o aniversário “especial”. E realmente torna. Ele leva Emma para a casa no lago, enche tudo de velas e pétalas, promete ser um homem melhor… e, na manhã seguinte, ela acorda algemada ao cadáver dele. Parabéns, Emma. Esse é o tipo de presente que nem a joalheria Tiffany resolve.
A partir daí, começa um jogo de vingança tão estranho quanto engenhoso. Emma precisa se livrar do peso morto — literalmente — enquanto foge de dois assassinos que querem terminar o serviço que “Mark” começou. É um thriller de sobrevivência que mistura tensão, humor ácido e criatividade gore na medida certa.
O filme funciona porque constrói tudo direitinho. Ele pega a estrutura clássica de vingança e a transforma numa história de sobrevivência feminina cheia de reviravoltas inteligentes. Sempre que você pensa “por que ela não faz tal coisa?”, o filme responde. Sempre que você acha que está um passo à frente, ele te derruba narrativamente. É divertido, esperto e sabe usar os clichês a seu favor. Não reinventa a roda, mas dá um drift estiloso nela.
E, apesar de flertar com o terror de tortura, ele nunca passa do ponto. Tem gore, tem desconforto, tem cenas que fazem você apertar os dentes, mas nada gratuito. É o suficiente para divertir sem traumatizar.
Com 96 minutos, o filme é enxuto e eficiente. Os personagens são apresentados rapidamente, mas com profundidade. Mark, mesmo morto por quase todo o filme, é compreendido em 15 minutos: manipulador, controlador, frio. Emma, por sua vez, é uma sobrevivente marcada por traumas anteriores — e Mark sabe exatamente como usar isso contra ela. Ele é um vilão assustador mesmo sem respirar.
O elenco é pequeno, a locação é única, mas tudo funciona. A casa no lago vira um labirinto emocional e físico, cheio de detalhes que voltam mais tarde. A fotografia de Jamie Cairney cria um clima isolado e desesperador, e a edição mantém o ritmo sempre tenso e envolvente. Há mortes criativas, cenas visualmente marcantes e um uso inteligente do espaço.
E Megan Fox? Entrega tudo. Ela interpreta a esposa troféu gelada, mas também a mulher que se recusa a morrer ali. Ela passa metade do filme quieta, arrastando um cadáver, sangrando, improvisando, sofrendo — e ainda assim arrasa. Ela é engraçada, intensa, vulnerável e feroz. É uma performance que lembra o público de que ela sempre foi muito mais do que Hollywood permitiu que fosse.
No fim, “Até a Morte” é uma aventura tensa, divertida e surpreendentemente satisfatória. É perfeito para assistir com amigos, gritar juntos, rir do absurdo e torcer pela protagonista. Mesmo com o cenário frio e sombrio, é um filme que esquenta o ambiente — do jeito mais sangrento possível.













