
Blindsided (2025), curta-metragem estadunidense, com 09 minutos de duração, exibido durante o 22º Fantaspoa, realizado entre os dias 8 e 26 de abril de 2026. A história acompanha Maria, uma educadora cega tentando sobreviver dentro do próprio apartamento depois que uma invasão alienígena transforma o mundo lá fora em um caos e o mundo lá dentro em um escape room.
“Blindsided” é um curta de ficção científica/terror escrito e dirigido por P. Patrick Hogan, estrelado por Crystal Loverro — e já começa surpreendendo pelo título, porque você realmente fica… “surpreendido/pego de surpresa” (em tradução literal).
O conceito é firme como concreto. Já vimos protagonistas com deficiência enfrentando monstros, fantasmas e criaturas interdimensionais, mas aqui o curta consegue manter tudo envolvente do começo ao fim. Não sei se a ideia sobreviveria a um longa — talvez não — mas no formato curtinho funciona como um shot de adrenalina sci-fi.
O diretor consegue levar a experiência da deficiência e de um predador alienígena a um novo patamar. Em vez de escurecer a tela e deixar apenas o som contar a história, Hogan foca no rosto de sua protagonista e nos mostra apenas uma pequena parte do que a rodeia. Instantaneamente, temos a sensação de estar cegos, enquanto Loverro atua através das expressões faciais de Maria.
Tecnicamente, Hogan e o diretor de fotografia James Suter fazem um ótimo trabalho transformando um apartamento comum em um labirinto claustrofóbico. A iluminação (ou a falta dela) cria uma atmosfera tão sufocante que você quase tenta acender a luz da sua própria casa. O filme te força a enxergar como Maria: sentindo o perigo antes de vê-lo, o que é ótimo para o suspense e péssimo para a sua paz de espírito.
Agora… sobre os personagens secundários. Eles são ouvidos, mas nunca vistos — o que já é meio suspeito — e, infelizmente, acabam tirando um pouco da imersão. Danni, interpretado por Florence Wilder, aparece basicamente para dar informações vagas sobre a invasão, como se estivesse lendo um manual incompleto. E a lógica da cena é duvidosa: por que descer até o andar de baixo só para morrer na porta da protagonista? Eles tinham alguma conexão emocional? Um passado misterioso? Um cupom de desconto compartilhado? O filme não explica. E Maria nem tenta abrir a porta, o que deixa tudo ainda mais estranho. Esse personagem poderia ter sido cortada sem dó — e ninguém sentiria falta.
No fim das contas, “Blindsided” tropeça um pouco na lógica, mas continua sendo um curta fascinante. O mundo claustrofóbico criado pelo diretor funciona muito bem, e a atuação de Crystal Loverro prende o espectador. É tenso, é atmosférico e deixa você olhando para o corredor da sua casa com um pouco mais de desconfiança.
















