
Zico – O Samurai de Quintino (2025), longa-metragem nacional documental, distribuído pela Downtown Filmes, estreia, oficialmente, nos cinemas brasileiros, a partir de 30 de abril de 2026, com classificação indicativa 12 anos e 107 minutos de duração.
“Zico: O Samurai de Quintino” é aquele tipo de documentário que já chega com o título pronto para agradar dois públicos ao mesmo tempo: os japoneses que tratam o Galinho como lenda viva e os brasileiros que adoram transformar jogador em mito. E, convenhamos, se tem alguém que pode carregar um título desses sem parecer forçado, é o sujeito que marcou 508 gols pelo Flamengo e ainda arrumou tempo para virar herói nacional no Japão.
O filme tem menos de duas horas, mas passa tão rápido que parece conversa de bar com alguém que realmente viveu tudo aquilo. A estrutura é tradicional, sem firulas, mas funciona porque Zico rende assunto. A mistura de imagens raras, recortes de jornal e depoimentos de gente que o viu jogar dá aquela sensação de reportagem estendida, só que com mais emoção e menos pressa.
O documentário acerta ao equilibrar momentos gloriosos com episódios mais espinhosos. Não faltam lembranças do Mundial de 1981, das Copas, do casamento, da fase japonesa — mas também aparecem o carrinho criminoso de Márcio Nunes, a lesão que quase o tirou da Copa de 86 e o pênalti que até hoje rende discussões acaloradas. É bom ver que não tentaram transformar Zico em santo de vitral; ele é mostrado como alguém que brilhou muito, mas também tropeçou.
A curadoria dos acontecimentos é boa, mesmo que algumas passagens pareçam jogadas ali sem muito cuidado. A montagem não segue uma linha totalmente clara, o que pode deixar quem não viveu a época meio perdido. Nada grave, mas dá aquela sensação de álbum de fotos embaralhado: tudo é interessante, só não está exatamente na ordem.
O filme também não se aprofunda tanto quanto poderia. A vida de Zico tem material para uma série inteira. A morte do amigo Geraldo, o impacto da ditadura na família, a relação com o Japão — tudo isso merecia mais tempo. Mas o diretor João Wainer preferiu dar um panorama geral, o que é compreensível dentro do formato.
Ainda assim, o documentário tem momentos deliciosos. Zico contando que nunca perdeu um voo ou ônibus é o tipo de detalhe que só reforça a imagem de disciplina que os japoneses tanto admiram. E a trilha sonora, junto com a fotografia, deixa tudo com cara de homenagem caprichada.
No fim das contas, “Zico: O Samurai de Quintino” funciona como porta de entrada para quem não conhece a trajetória do Galinho e como memória afetiva para quem já sabe de cor cada gol. Você termina com vontade de rever lances antigos, de entender melhor o impacto dele e, principalmente, de tentar ser um pouco mais Zico na vida — nem que seja só para não perder o próximo ônibus.
















