Uma Obsessão Desconhecida (por Peter P. Douglas)

É uma pena que “Uma Obsessão Desconhecida” (Significant Other, 2022) tenha esse título. Sério. É tão genérico que parece nome de pasta de arquivos tipo “documento_final_final2_agora_vai.pdf”. Toda vez que tento lembrar, ele escapa da memória como sabonete molhado. O curioso é que o filme é bem melhor do que esse nome preguiçoso sugere.

A história começa com um meteoro vermelho caindo na floresta — aquele clássico “algo ruim chegou” que todo fã de terror reconhece. Logo depois, um cervo é puxado por um tentáculo sinistro. E então… corte para um casal normalzinho fazendo trilha. Harry ama acampar. Ruth odeia. Ele está animado. Ela está tendo pressentimentos apocalípticos. Você pensa: “já vi esse filme umas doze vezes”. Mas aí o filme olha para você e diz: “achou errado, otário”.

Eu adoro quando entro num terror achando que vai ser mais do mesmo e, de repente, o filme resolve subverter tudo. E “Uma Obsessão Desconhecida” arrisca — e acerta. O que parecia ser só mais uma história de “criatura na floresta” vira algo muito mais complexo, quase uma análise de relacionamento com tentáculos metafóricos (e literais).

Harry parece apaixonadíssimo por Ruth. Ruth… nem tanto. Ela sofre de ansiedade, odeia natureza e claramente não está no mesmo ritmo emocional que ele. Eles chegam a um mirante lindo, Harry faz o pedido de casamento, e Ruth responde com um ataque de pânico. E isso é só o começo da montanha-russa emocional.

A atmosfera inquietante funciona muito bem graças às atuações de Maika Monroe e Jake Lacy, que entregam personagens tão instáveis que você passa metade do filme pensando: “eu confio em alguém aqui?”. Spoiler: não deveria. Eles oscilam entre fofos, estranhos, suspeitos e completamente imprevisíveis — e isso é parte da graça.

E quando chega a grande revelação… olha, poucas vezes um filme me pegou tão desprevenido. Se o critério é “quantos queixos caem com a reviravolta?”, “Uma Obsessão Desconhecida” entrega pelo menos um, talvez dois, dependendo do seu nível de atenção.

No geral, é um filme que parece pequeno, mas pensa grande. Começa como terror de floresta, vira drama psicológico, depois vira outra coisa completamente diferente — e tudo isso sem perder o ritmo.

Compartilhe

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *