Scar 3D – A Marca do Mal (por Peter P. Douglas)

Eu sempre digo que avaliar um filme pelo seu efeito 3D, não me faz dar nota maior ou menor só por causa disso. Seria como culpar o filme porque você o assistiu numa TV de 14 polegadas com antena torta. O problema não é o filme — é a TV. Mas “Scar 3D – A Marca do Mal” (2007)… ah, esse realmente força a amizade.

Não existe versão 2D. Isso mesmo, não tem versão tradicional. Só tem 3D. E não qualquer 3D — é 3D anáglifo, o famoso vermelho‑azul, aquele que parece brinde de cereal dos anos 90 e que deveria ter morrido junto com as TVs de tubo — é tão criminoso que parece castigo por algum pecado que você nem lembra de ter cometido.

E o pior: claramente foi colocado depois, porque nada, absolutamente nada, parece ter sido filmado com a intenção de ser 3D. É como se alguém tivesse dito: “e se a gente colocasse 3D só pra dizer que tem?” e todo mundo tivesse concordado.

Desabafo feito em relação ao 3D, chegou a hora de falar sobre o filme em si, que tenta surfar na onda da franquia “Jogos Mortais” e “O Albergue”, mas não consegue. O “torture porn” está presente, mas não chega a ser aquele festival de nojeira que faz você repensar sua existência. É mais um “torture light”, tipo versão diet do sofrimento humano.

A história acompanha Joan Burrows (Angela Bettis), que na adolescência sobreviveu a um psicopata que transformou uma funerária em escape room mortal. O jogo era simples: ou você mandava matar seu amigo, ou morria junto. Esse embate lhe gerou cicatrizes (tanto físicas, quanto emocionais). Eis que,16 anos depois, ao retornar a sua cidade natal, nossa protagonista vai morar com a sobrinha Olympia (Kirby Bliss Blanton) e o pai dela, Jeff (Christopher Titus). Mas claro que um imitador decide que é hora de reviver o passado — porque psicopata bom é psicopata que não deixa a tradição morrer.

As cenas de tortura são brutais o suficiente para impressionar só quem assiste comédia romântica. Após pesquisar na internet, vi que na época do lançamento, houveram relatos de gente desmaiando e vomitando no cinema, o que me faz acreditar que essas pessoas nunca viram nada mais pesado do que “Esqueceram de Mim”. Para quem já está acostumado com o gênero, é tudo bem administrável — digamos que dá para assistir enquanto come um lanche. Algumas cenas são até… divertidas, no sentido mais errado possível.

O orçamento do filme é tão baixo que parece que alguém encontrou uma câmera HD perdida num estacionamento e decidiu fazer um longa. Nada contra: dá até para respeitar o esforço. O problema é que o 3D anáglifo transforma tudo em uma experiência digna de penitência, uma verdadeira cereja radioativa no topo do bolo.

No geral, “Scar 3D – A Marca do Mal” tem seus momentos. Quem gosta de sangue vai se divertir. Quem quer um terror memorável vai ficar olhando para os óculos vermelho‑azul pensando “por quê?”. Mas pelo menos acaba rápido (74 minutos) e disso as pessoas vão gostar.


Assista o filme aqui:

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