
Reality+ (2014), apesar de ter um título em inglês, trata-se de um curta francês com mais de uma década nas costas — mas que só ganhou atenção recentemente. E por quê? Porque Coralie Fargeat, sua roteirista e diretora, virou sensação depois de “A Substância” (2024) e suas indicações ao Oscar. Os paralelos entre as obras são evidentes: ambas se passam em futuros onde a ciência permite que humanos modifiquem seus corpos para se sentirem mais confortáveis. Só que aqui o foco é a inteligência artificial.
As pessoas podem comprar um chip que lhes dá uma aparência extremamente atraente por 12 horas diárias. Depois disso, puf, voltam à forma original pelas outras 12 horas diárias. É literalmente um conto de Cinderela — só que com um protagonista homem.
Em determinado momento, o curta mostra uma boate onde vários frequentadores usam o chip. A transformação é superficial e temporária, e o filme deixa claro que o efeito não resolve nada. Durante seus pesadelos, o protagonista não teme virar sua versão “melhorada” para sempre. Ele teme voltar ao que realmente é.
A tecnologia não melhora autoestima, só mascara. A vizinha simpática e criativa da “vida real” é mais interessante para o protagonista do que as mulheres “modificadas” da boate, o que reforça que o chip não cria conexões reais. A maioria das pessoas naquele local pareciam mais preocupadas com aparência do que com qualquer outra coisa.
A trama segue o caminho óbvio: o protagonista e sua jovem vizinha são, de fato, o mesmo par em suas versões transformadas. Isso geraria um “gancho” para uma possível continuação que nunca aconteceu. E faz sentido que não tenha acontecido. Os dois já se conheceram nas versões falsas, não nas reais. Gastaram dinheiro e esforço para impressionar quando não precisavam. Essa tecnologia, no contexto do curta, só atrapalha relações autênticas.
“Reality+” é um curta-metragem interessante. Ainda bem que Fargeat não tentou esticá-lo — a duração é perfeita e, talvez até cinco minutos a menos ainda teria funcionado. Na época, a diretora tinha pouco menos de 40 anos e seu talento já era evidente. Os atores do curta não são estrelas internacionais, mas têm carreiras sólidas na França. Vale a pena uma conferida!












