
No longa-metragem sul-coreano “Projeto Silêncio” (Talchul: Project Silence, 2023), tomamos conhecimento que a ponte suspensa que liga o aeroporto de Seul é tão movimentada que, sinceramente, deveria receber salário e vale-transporte. Precisando urgentemente de reparos, ela acaba virando palco de um desastre digno de “é hoje que o seguro vai chorar”.
Tudo começa quando um influenciador — claro, sempre um influenciador — decide fazer uma live dirigindo em alta velocidade no meio de uma das piores neblinas já ocorridas. Resultado: perde o controle, para no susto e vira o dominó humano que dá início a um engavetamento colossal, incluindo um caminhão-tanque. Porque se é pra dar errado, que seja com estilo.
Entre os veículos envolvidos, há uma van militar carregando cães Echo, que não são exatamente “cachorrinhos fofos”. São cães de ataque com microchips, treinados para obedecer comandos humanos e atacar em cenários de guerra. Com o impacto, a porta abre e eles escapam — famintos, irritados e prontos para transformar qualquer um em petisco. Enquanto isso, a ponte começa a desabar e o clima piora. Basicamente, é mais um dia comum no universo dos filmes-catástrofe.
E por falar nisso: ser original nesse gênero é quase impossível. Já vimos navio afundando, prédio pegando fogo, avião caindo, meteoro chegando, tubarão voando… Mas Kim Tae-gon e sua equipe decidiram ignorar tudo isso e criar algo misturando diferente, envolvendo política, ficção científica, drama, desastre e até crítica ambiental. É tipo um buffet de gêneros cinematográficos.
Como todo bom filme do tipo, precisamos do nosso grupo de azarados tentando sobreviver. Temos: Cha Jung-won (Lee Sun-kyun), assessor político e pai viúvo tentando se reconectar com a filha; Kyung-min (Kim Soo-Ahn), a filha que não quer estudar na Austrália e provavelmente nunca mais pegar uma ponte na vida; Joe Park (Ju Ji-Hoon), motorista de guincho, vigarista e dono da cachorrinha Jodie; Sim Yu-ra (Park Ju-Hyun), estrela do golfe, e sua gerente Mi-ran (Park Hee-Von), que adora se lamentar; O casal de idosos Byeong-hak (Moon Sung-Geun) e sua esposa senil Soon-Ok (Ye Soo-Jung), porque todo filme-catástrofe precisa de um casal de idosos; e Dr. Yang (Kim Hee-Won), pesquisador do Projeto Silêncio, que provavelmente já sabia que isso ia dar errado.
Os humanos são inocentes e não merecem virar ração, mas os cães… bem, foram treinados para odiar humanos. E com razão: Echo 9, a “matriarca” da matilha, viu seus primeiros filhotes serem mortos para alimentar sua raiva. Resultado: ela virou a líder e mais perigosa do grupo.
A ponte desaba com uma facilidade que não faz nenhum engenheiro coreano dormir tranquilo, mas isso é só pano de fundo. O verdadeiro caos está no rádio militar que Jung-won encontra, permitindo que ele fale com seu chefe — que, por sinal, está mais preocupado com as eleições do que com as pessoas sendo perseguidas por cães assassinos. Política, né?
Kim Tae-gon tenta equilibrar ação, drama e suspense. Às vezes funciona, às vezes parece que o filme tomou pré-treino demais e perdeu o foco. As cenas de ação quase chegam lá, mas tropeçam antes de virar algo realmente épico. Os efeitos visuais seguram bem, mas os cães digitais ficam meio suspeitos quando começam a correr — tipo videogame de 2012.
Em geral, “Projeto Silêncio” é divertido. É um filme pipoca honesto, com boas ideias, algumas falhas e 95 minutos de caos controlado. E, convenhamos, existem maneiras muito piores de passar esse tempo.









