Obsessão, 2025 (por Peter P. Douglas)

Obsessão (Obsession, 2025), longa-metragem estadunidense de terror, distribuído pela Universal Pictures, estreia, oficialmente, nos cinemas brasileiros, a partir de 14 de maio de 2026, com classificação indicativa 18 anos e 109 minutos de duração.

Deixar uma impressão duradoura é o que separa um terror bom de um terror que te acompanha no banho, no ônibus e no silêncio da madrugada. “Obsessão”, de Curry Barker, entra exatamente nessa categoria: um filme que te deixa desconfortável do primeiro ao último minuto, como se alguém tivesse apertado o botão de cringe e quebrado o controle.

A história é um clássico “cuidado com o que você deseja”, versão “pata de macaco com esteroides”. Bear (Michael Johnston), funcionário de uma loja de música e romântico incurável — ou seja, perigo — resolve lançar um feitiço de amor na sua crush eterna, Nikki Freeman (Inde Navarette). Ele encontra o misterioso “Salgueiro dos Desejos”, quebra o galho (literalmente) e pensa: “agora vai”. E vai. Só que vai muito além do que qualquer pessoa emocionalmente estável consideraria aceitável.

Barker pega o clichê e leva para um nível de horror tão absurdo que você quase sente saudade das versões antigas. O roteiro é o grande trunfo: ele muda do engraçado para o aterrorizante em segundos, como se tivesse sido escrito por alguém que alterna entre stand-up e pesadelos. Não é coincidência: Barker é metade da dupla de comédia “That’s a Bad Idea”, e aqui ele prova que o nome do grupo é, na verdade, uma filosofia de vida.

Depois do feitiço, Nikki se apaixona por Bear. Mas não de um jeito fofo. Não de um jeito saudável. De um jeito que faz você pensar: “isso aqui já passou da psicopatia e entrou no território do meu Deus, alguém chama um padre”. Enquanto isso, Bear — que é, com todo respeito, um covarde — percebe que transformar uma pessoa real em objeto de desejo dá errado. Muito errado.

“Obsessão” é um festival de constrangimento alheio. Você vai querer gritar com Bear, sacudir Bear, talvez até jogar um copo d’água na tela para ver se ele acorda. É aquele tipo de terror que dói porque você já foi Bear, já foi Nikki, ou já foi o amigo que avisou “não faz isso” e foi ignorado.

E o mais cruel: o castigo de Bear é merecido, mas ainda assim é doloroso assistir. À medida que a obsessão de Nikki evolui de carência para possessividade demoníaca, o filme vai escalando até um final devastador — daqueles que deixam o público em silêncio, encarando o vazio, repensando todas as escolhas amorosas da vida.

Em geral “Obsessão” é desconfortável, engraçado, cruel, humano e absolutamente perturbador. Um terror que não só assusta, mas mexe em feridas emocionais que você nem lembrava que tinha. É o tipo de filme que você termina e pensa: “ok, nunca mais faço piada com feitiço de amor”.

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