Experimentos Macabros, 2019 (por Peter P. Douglas)

Experimentos Macabros (Alive, 2019), dirigido por Rob Grant e com roteiro coescrito por Chuck McCue e Jules Vincent, não perde tempo: em dois segundos você já está preso em um hospital caindo aos pedaços, junto com o Paciente Masculino (Thomas Cocquerel) e a Paciente Feminina (Camille Stopps), ambos costurados, remendados e completamente sem memória. É como acordar de uma ressaca, só que com mais cicatrizes e menos dignidade. Eles tentam entender quem são, onde estão e por que parecem ter passado por um mutirão de cirurgias clandestinas — e aí entra o Homem (Angus Macfadyen), que se apresenta como “médico salvador”, mas tem toda a vibe de “sequestrador que coleciona bisturis”.

A história segue exatamente como você imagina — e ainda assim funciona. A Paciente Feminina tenta jogar o jogo, o Paciente Masculino, rebelde, tenta não morrer e o Homem tenta “curá-los” com métodos que fariam qualquer hospital perder a licença em cinco minutos. Remédios? Sim. Comida? Talvez. Cirurgia? Sempre. Fisioterapia? Só se envolver dor.

Sim, você já viu esse tipo de trama. Eu já vi. Todo mundo já viu. Mas o filme te prende porque o elenco o carrega nas costas — e olha que eles passam metade do tempo deitados em camas, amarrados, drogados ou tentando não desmaiar. Macfadyen entrega um vilão tão teatral, tão deliciosamente perturbado, que até os clichês do trauma de infância ganham brilho. E Stopps e Cocquerel não são apenas “nossos olhos na história”: eles têm presença, química e desespero suficientes para não fazer o público dormir.

O que posso apontar como algo não tão positivo: o filme tenta manter a tensão tão constante, tão ininterrupta, tão sufocante, que chega uma hora em que você pensa “ok, já entendi, ele é louco, posso ter cinco minutos de paz?”. Normalmente, nesse tipo de história, existe aquele momento clássico de falsa calmaria: o vilão parece menos vilão, o protagonista acha que talvez esteja tudo bem, e o público respira antes do final. É o famoso “talvez ele não seja tão ruim assim”… seguido imediatamente por “ah, não, ele é pior”.

Mas o filme não te dá esse luxo. Não tem curva, não tem respiro, não tem pausa dramática. Desde o primeiro minuto, nós — e os pobres pacientes — sabemos que o tal “médico” é completamente desequilibrado. E o filme mantém essa corda esticada por quase 90 minutos. Sem descanso. Sem alívio. Sem aquele momentinho de “ufa”.

O resultado? A tensão funciona, mas também faz o filme parecer mais longo do que realmente é. É como correr uma maratona inteira sem hidratação: você chega ao final, mas chega exausto, suado e se perguntando por que ninguém te deu um copo d’água no caminho.

Em geral, “Experimentos Macabros” é aquele tipo de terror que funciona melhor quando você entra sem saber nada. Nada mesmo. Sente-se, relaxe (ou tente), e deixe o filme te envolver naquela mistura de tensão, claustrofobia e “meu Deus, por que eu estou vendo isso?”. É uma experiência de terror como deve ser: desconfortável, intensa e impossível de ignorar.

Assista o filme aqui:

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