
A Dezenove Som e Imagens e a Califórnia Filmes divulgam o trailer e o cartaz de DOLORES. Realizado com equipe formada majoritariamente por mulheres, o longa encerra a trilogia do afeto, desenvolvida pelo cineasta Chico Teixeira, falecido em 2019. Exibido em mostras e festivais nacionais e internacionais, o filme dirigido por Marcelo Gomes e Maria Clara Escobar chega aos cinemas do Brasil em 04 de junho de 2026. Com produção de Sara Silveira, Eliane Bandeira e Maria Ionescu, conta também com a Misti Filmes como produtora associada e a GT Produções na coprodução. A distribuição é da Califórnia Filmes.
DOLORES ganhou diversos prêmios em sua passagem por festivais. Mais recentemente, Carla Ribas, Naruna Costa e Ariane Aparecida, que fazem as personagens centrais, receberam, no 21o Panorama Coisa de Cinema, em Salvador, um prêmio em conjunto por suas atuações. Além disso, neste mês de maio o longa tem exibição na Inglaterra, na mostra Brazil on Film, do British Film Institute, que em seu programa destacou a “performance arrebatadora” de Carla Ribas.
A atriz interpreta a personagem-título, uma mulher de 65 anos que tem a premonição de abrir um cassino. Isso, porém, se torna um problema, uma vez que ela já foi viciada em jogos. Dolores tem uma relação tensa com a única filha, Deborah (Naruna Costa), mas é próxima da neta, Duda (Ariane Aparecida), que trabalha numa loja de armas e sonha em se mudar para os EUA.
Marcelo e Maria Clara retomam o projeto deixado por Chico e apontam como a questão do afeto se dá nos filmes da trilogia. “Um afeto que traz consigo ciúmes, ressentimentos, invejas, rejeições e frustrações. O primeiro filme é Casa de Alice (2007), que narra o drama de uma família cujos integrantes se toleram mutuamente por conta de limitações emocionais, sociais e financeiras. Já no segundo filme, Ausência (2014), aborda a adolescência de um jovem e a descoberta de seus primeiros conflitos existenciais e hormonais”, explicam os cineastas.
A personagem Dolores, assim como a Alice, de Casa de Alice, é uma mulher real com seus defeitos e encantos. “O Chico tinha feito uma vasta pesquisa com personagens reais que nos deu um bom suporte, mas ficção é outra coisa. Apesar da dura rotina na periferia de São Paulo, Dolores se recusa a deixar de sonhar com uma vida melhor. Esse é seu ato de rebeldia. Sonho e realidade de Dolores se misturam num jogo de cores e texturas. O onírico e real são dois mundos sem barreiras no inconsciente de Dolores. A periferia vira palco de vitórias magnânimas e transformações de realidades.”
A dupla da direção também assina o roteiro e aponta que a solidariedade e o sentido de comunidade são temas caros à trilogia e, em especial, a esse filme. “É muito comum à experiência feminina você aprender com as trocas quase secretas, em particular, que se dão exclusivamente com outras mulheres. São trocas e ensinamentos que se dão num abraço, numa conversa, no meio de um trabalho ou num esbarrão na rua, e que vão formando uma teia de ensinamentos que produzem sobrevivência física mas também existencial. Queríamos retratar isso. Esse mundo de mulheres que acordam cedo, dormem tarde, sonham acordadas e movimentam o constroem o nosso país.”
Eles destacam que trazer personagens femininas ao centro de DOLORES é um gesto político de empoderá-las e colocá-las em posição de destaque. “O filme fala também de liberdade, esse conceito tão complexo e cheio de meandros. Aqui, as nossas mulheres não se permitem serem resumidas somente ao que a vida lhes deu como destino. Ou os sonhos que se espera que elas sonhem. Elas lutam para transformar realidade em sonho. E juntas conseguem cruzar as pontes.”
O filme já foi exibido no Festival Internacional de Roterdã, na Mostra de Tiradentes, no Festival de San Sebastian, onde fez sua estreia mundial, na Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, no Festival do Rio e no Panorama Coisa de Cinema, em Salvador.
Produzido pela Dezenove Som e Imagens, DOLORES tem apoio da Spcine e do programa de Internacionalização Brasil no Mundo do Projeto Paradiso.
Sinopse
Às vésperas de completar 65 anos, Dolores tem uma premonição: sua vida vai mudar. Ela será dona de um cassino de sucesso. Mas seu passado de vício em jogo pode jogar contra ela. Deborah, sua única filha, espera a saída do namorado da prisão para começar uma nova vida, enquanto Duda, neta de Dolores, se agarra a uma oportunidade de trabalhar nos Estados Unidos. As três mulheres tentam transformar seus sonhos de uma vida melhor em realidade, apostando tudo ou nada.
DOLORES
Brasil, 2025, 84 min
Direção: Maria Clara Escobar e Marcelo Gomes
Elenco: Carla Ribas, Naruna Costa, Ariane Aparecida, Gilda Nomacce, Teca Pereira, Zezé Motta, Roney Villela, Bruno Kott e Mateus Fagundes
Roteiro Original: Chico Teixeira, Sabina Anzuategui
Roteiro: Maria Clara Escobar, Marcelo Gomes
Produção: Sara Silveira, Eliane Bandeira, Maria Ionescu
Coprodução: GT Produções
Produção Associada: Misti Filmes
Financiamento: BRDE, FSA, Ancine
Apoio: Spcine
Apoio: Projeto Paradiso
Realização: Lei Paulo Gustavo, Ministério da Cultura, Governo Federal
Direção de Fotografia: Joana Luz
Direção de Arte: Juliana Lobo
Montagem: Isabela Monteiro de Castro Araujo
Música Original: Felipe Botelho
Distribuição no Brasil: California Filmes
Sobre o diretor | MARCELO GOMES
O primeiro longa-metragem de Marcelo Gomes, Cinema, Aspirinas e Urubus (2005), estreou na seção Un Certain Regard do Festival de Cannes, onde foi premiado com o Prêmio do Ministério da Educação da França. Desde então, seu trabalho tem sido exibido em importantes festivais internacionais, incluindo Veneza, Toronto, San Sebastián e Berlim. Reconhecido por sua narrativa intimista e estilo visual distinto, Gomes explora as paisagens sociais e culturais do Brasil com profundidade e originalidade. Seu último filme de ficção, Retrato de um Certo Oriente (2024), teve sua estreia mundial na Competição Big Screen do Festival Internacional de Cinema de Roterdã (IFFR. Em 2025, dirigiu a minissérie Máscaras de Oxigênio não Cairão Automaticamente, produzida pela HBO Max.
Sobre a diretora | MARIA CLARA ESCOBAR
Maria Clara Escobar é diretora, roteirista e poeta. Realizou e escreveu o filme Desterro (2020), que teve sua estreia na Tiger Competition do Festival Internacional de Roterdã em 2020. Quando entrou na Netflix, o longa foi indicado pelo New York Times como um dos seis filmes a serem vistos. Maria Clara também realizou e escreveu o documentário Os Dias Com Ele (2014), premiado como melhor filme no Doc.Lisboa; o híbrido Explode São Paulo, Gil (2025), vencedor do prémio de melhor direção e melhor atuação no Festival Olhar de Cinema; e a direção da série Paloma (2026), lançada no Canal Brasil.Além dos longas, realizou os curtas: Onde Habito, do Sesc ConVida, Passeio de Família, prêmio Porta Curtas, e Domingo, selecionado para o ciclo de escolas do Festival de San Sebastián; e foi roteirista de filmes como Serra das Almas, de Lírio Ferreira (2024), Ontem Havia Coisas Estranhas no Céu (2020) e Histórias que Só Existem Quando Lembradas (2005), de Julia Murat, entre outros.
Sobre a atriz | CARLA RIBAS
Nascida no Rio de Janeiro, começou sua carreira de atriz aos 35 anos de idade. Dedicou-se aos estudos da arte dramática fazendo oficinas de ator com Fátima Toledo, Walter Rippel, Eduardo Milewicz, Eduardo Wotzik, Camila Amado, Marcio Libar, Christiane Jatahy, André Paes Leme, Domingos Oliveira, Yoshi Oida, Gerald Thomas, Josie Antello, Moacir Chaves, Juliana Carneiro da Cunha, Luis Mello, Daniel Herz e Suzana Kruguer, Antunes Filho, Moacyr Góes, Leon Góes, José Possi Neto e Elias Andreato, entre outros. A respeito de seu trabalho em A Casa de Alice, Luiz Carlos Merten, crítico de cinema do jornal O Estado de S. Paulo, escreveu: “Em sua estreia no cinema, a atriz de teatro Carla Ribas sobe imediatamente ao pódio das maiores interpretações femininas da história do cinema no País.
Sobre a atriz | NARUNA COSTA
No ar na novela Coração Acelerado, Naruna Costa vive um momento de destaque na carreira, conciliando reconhecimento crítico, personagens de impacto e uma série de estreias previstas para o cinema e streaming: Instinto (Globoplay) e Habeas Corpus (Netflix). Além do longa de animação Amadeo, dirigido por Eduardo Felistoque, e também Delicadeza, de Eduardo Mattos, Pele de Rinoceronte, de Marcelo Maia, e Os Demônios da Rua Scarp”, de André Fidalgo. Atriz, diretora, cantora e compositora, Naruna se consolida como um dos nomes mais relevantes da cena artística brasileira contemporânea, com trajetória marcada por pioneirismo, engajamento e acúmulo de prêmios: APCA 2023 (Dramaturgia) e Prêmio Shell 2024 (Música) pela direção musical de Boi Mansinho e a Santa Cruz do Deserto; Melhor atriz no VI Festival Brasileiro de Cinema Internacional (2019) pelo filme Toro, de Eduardo Felistoque; Melhor diretora (APCA 2018) por Buraquinhos, também dirigido em parceria com Jhonny Salaberg; Melhor direção (Prêmio Aplauso Brasil 2018) por Buraquinhos; Melhor espetáculo e elenco (Prêmio CPT 2009) por Hospital da Gente ; e Melhor elenco (Prêmio CPT 2011) por Urubu Come Carniça e Voa; além das indicações: ao Prêmio Shell (Direção) por Parto Pavilhão, de Jhonny Salaberg; melhor atriz (APCA 2017) por Antígona, direção de Moacir Chaves; e a ao Prêmio Pena de Prata (2022) pela série Rota 66. Nascida em Taboão da Serra (SP), Naruna construiu uma carreira de mais de duas décadas marcada pela valorização das periferias e da cultura negra. Formada pela EAD/USP, é cofundadora do Grupo Clariô de Teatro, referência na produção cultural periférica. Também lidera o grupo musical Clarianas, com destaque para o álbum Xirê. Além da novela, ela foi protagonista da série Irmandade e esteve em Todas as Flores, Beleza Fatal e Falas Negras, interpretando Angela Davis. Ela também prepara seu primeiro longa como diretora: um documentário sobre o poeta Sérgio Vaz, ampliando sua atuação no cinema autoral. E dirigiu todos os vídeos da nova turnê do cantor Emicida.
Sobre a atriz | ARIANE APARECIDA
Ariane Aparecida é atriz, dançarina e aerelista, formada pela cena teatral paulistana e graduanda em Arte-Teatro pela UNESP. Iniciou no teatro aos 12 anos, na Fábrica de Cultura da Brasilândia, atuou nos últimos 8 anos na cena teatral paulistana integrando companhias como a Cia. Satyros e a ColetivA Ocupação, com a qual se apresentou em festivais no Brasil, Portugal, França e Reino Unido. No audiovisual, protagonizou o clipe Baila Conmigo, de Selena Gomez, e integrou elencos de filmes como Baby (Marcelo Caetano), Aqueles Dias (Hélio Goldsztejn), Dolores (Marcelo Gomes e Maria Clara Escobar) e COGUM (Maurício Chades).
Sobre a atriz | GILDA NOMACCE
Gilda Nomacce é atriz com atuação destacada no teatro, cinema e audiovisual. Tem como eixo central de formação o trabalho com Antunes Filho, no CPT – Centro de Pesquisa Teatral, onde consolidou uma investigação rigorosa sobre presença, corpo e linguagem. Com 108 títulos no IMDb, construiu uma trajetória ampla no audiovisual, marcada pela colaboração com realizadores de diferentes gerações e campos estéticos. Trabalhou com diretores como Héctor Babenco, Juliana Rojas, Marco Dutra, Chico Teixeira, Gabriel Abrantes, Dainara Toffoli, entre outros. Seus trabalhos integram de forma recorrente o circuito internacional de festivais. Em 2026, participa do Festival de Cannes com o curta-metragem Gato Laser, somando-se a uma trajetória que reúne seis participações em Cannes e nove participações no Festival Internacional de Cinema de Berlim, evidenciando uma presença consistente nos principais palcos do cinema mundial. Entre seus trabalhos estão Trabalhar Cansa (Juliana Rojas e Marco Dutra), Quando Eu Era Vivo (Marco Dutra), Ausência (Chico Teixeira), Casa de Antiguidades (João Paulo Miranda Maria), Três Tigres Tristes (Gustavo Vinagre) e Humores Artificiais (Gabriel Abrantes), exibidos e premiados em festivais como Cannes, Berlim, Brasília, Tiradentes, Festival do Rio e Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Reconhecida pela potência de suas interpretações e por uma presença cênica singular, Gilda transita entre diferentes formatos e escalas de produção, do cinema à televisão e ao streaming. Sua imagem também atravessa a cultura contemporânea, tendo se tornado meme amplamente difundido nas redes sociais, ampliando o alcance de sua presença para além dos circuitos tradicionais. No audiovisual, participou ainda de produções de grande público como Cidade Invisível (Netflix) e Desejos S.A. Em 2026, estará em Cannes com Laser-Gato. Também está em Eclipse nos cinemas. Foi indicada ao prêmio APCA por Prédio Vazio.
Sobre a produtora | DEZENOVE SOM E IMAGENS
A Dezenove Som e Imagens foi fundada pelo cineasta Carlos Reichenbach e a produtora Sara Silveira em 1991. Em parceria com a produtora Maria Ionescu, tem o objetivo de produzir curtas e longas-metragens independentes para o mercado nacional e internacional. Desde então, a empresa tem produzido alguns dos mais memoráveis filmes brasileiros. Tanto como produtora ou coprodutora, com parceiros brasileiros ou estrangeiros, a Dezenove tem constantemente apresentado seus filmes ao redor do mundo, em festivais de cinema internacionais por mais de trinta anos.
Sobre a distribuidora | CALIFORNIA FILMES
A California Filmes é uma empresa independente de distribuição de filmes que atua nos mercados de cinema, vídeo on demand e televisão. No mercado desde 1991, a Califórnia Filmes tem como principal objetivo distribuir filmes com qualidade e força comercial. O diversificado catálogo da California Filmes é o reflexo de uma busca incessante por novidades nacionais e estrangeiras. Sempre presente em festivais internacionais, como Cannes e Berlim, a distribuidora reafirma sua proposta de trazer às telas brasileiras títulos de caráter reflexivo, produções de vanguarda e sucessos premiados, que têm garantido uma excelente receptividade do público e o reconhecimento da crítica, posicionando-se hoje como uma das empresas mais importantes do mercado.
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