Baise-Moi, 2000 (por Peter P. Douglas)

“Baise-Moi” (2000) é, pelo menos, um filme … digamos… honesto sobre o que quer ser… PORNOGRÁFICO e um manifesto pós‑feminista! Este chocante filme francês, tão alardeado, escrito e dirigido por Virginie Despentes e Coralie Trinh Thi, baseado no romance de Despentes, entrega inúmeras cenas de penetração genuína, sexo oral e pênis eretos, no típico estilo hardcore.

E não apenas sexo, claro, mas também violência, tanto no sentido de um estupro brutal, quanto na carnificina vagamente vingativa contra homens, e até mesmo mulheres, espalhada pelas protagonistas (que, a grosso modo, lembram “Thelma & Louise” e “Bonnie e Clyde”). E é essa violência, e o drama espúrio e implausível acrescentado, que transferem o filme da arena do sexo hardcore para a controvérsia do softcore.

Raffaela Anderson e Karen Bach interpretam Manu e Nadine, duas mulheres para quem “desiludidas” é quase elogio. Uma já trabalhou com cinema adulto, a outra é fã; ambas foram exploradas por homens e decidem, em um surto de empoderamento radical, sair por aí como uma dupla de justiceiras anárquicas. Elas não são exatamente um casal, mas têm uma dinâmica tão peculiar que até os hotéis com duas camas de solteiro ficam confusos.

O problema é que, enquanto elas se preocupam com frases de efeito para acompanhar suas escapadas, o filme esquece de coisas básicas — como polícia, câmeras de segurança e qualquer noção de verossimilhança. É como se o roteiro dissesse: “realismo? Nunca nem vi”.

Apesar da estética digital dura e da pose de “autenticidade crua”, o filme é tão realista quanto… bem, quanto um filme adulto tentando ser tratado como tese de mestrado. Ele claramente aspira a ser um comentário radical sobre sexo, poder e violência, mas sua profundidade intelectual é tão rasa quanto uma poça d´água.

No fim, “Baise-Moi” quer ser muita coisa ao mesmo tempo — manifesto, provocação, vingança, crítica social — mas acaba sendo mais lembrado pelo choque do que por qualquer reflexão que pretendia provocar. É cinema extremo, sim, mas também é cinema que acredita ser mais profundo do que realmente é.

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