
Olivia Wilde, durante sua carreira, já provou que sabe atuar e dirigir. Em “Não Se Preocupe, Querida” (Don’t Worry Darling, 2022), ela tenta alcançar o impacto que “As Esposas de Stepford” (1975) teve. Contudo, apesar de um visual forte e fotografia impecável, o filme não sustenta seus temas e não envolve como deveria.
Florence Pugh e Harry Styles interpretam Alice e Jack, casal que vive na cidade planejada de Victory. Enquanto os homens saem para “missões perigosas”, as mulheres passam o dia limpando, comprando e fingindo felicidade. Quando Alice começa a questionar o projeto secreto, sua vida perfeita desmorona. Quanto mais ela pergunta, mais sua sanidade parece ruir.
O problema central é simples: o filme é intrigante, mas tedioso. Wilde cria imagens bonitas e paletas vibrantes, mas o roteiro não acompanha. A obra gasta tempo demais estabelecendo Victory e a falsa realidade, ignorando quase todos os personagens secundários. Eles existem, mas não importam. Só Alice tem peso dramático.
Visualmente vibrante, mas dramaticamente vazio. Florence Pugh carrega o filme sozinha. Harry Styles não acompanha — não por atuar mal, mas porque não tem a maturidade ou presença que o papel exige ao lado dela. Chris Pine, Gemma Chan e Kiki Layne são subutilizados a ponto de parecerem figurantes de luxo. É o tipo de produção que faz o espectador se perguntar como um elenco tão bom pode render tão pouco.
O filme tenta se vender como mistério sombrio, mas evita aprofundar qualquer tema. A história avança devagar, soltando pistas até o final, que chega rápido demais e sem força. As explicações não convencem e parecem apressadas. Se “Não Se Preocupe, Querida” queria falar sobre empoderamento feminino ou sobre comportamento incel, falha nos dois casos — sem substância, sem impacto, sem coragem.












