
A história do longa-metragem de terror francês “MadS” (2024) é simples como deveria ser: Romain, 18 anos, só quer curtir uma festa e toma uma pílula misteriosa. Até aí, tudo dentro do esperado para um jovem que claramente não leu nenhum manual de sobrevivência em filmes de terror. Mas sua noite alucinante vira um desastre quando ele encontra uma mulher ferida na estrada. A partir de então, Romain precisa descobrir o que está acontecendo — enquanto sua mente está tão funcional quanto um modem de 1998.
“MadS” é um filme de zumbis, e como muitos do subgênero, presenciar um surto é quase rotina. O diferencial é que o filme acompanha indivíduos no meio da confusão, oferecendo uma visão mais pessoal do apocalipse.
Como tudo se desenrola em tempo real, acompanhamos o caos ao mesmo tempo que a bad trip do protagonista. É provável que haja edição digital — afinal, são quase 90 minutos sem cortes aparentes.
Para manter o mistério, “MadS” exige decisões absurdamente estúpidas dos personagens. E nada irrita mais do que gente ignorando o óbvio. Há momentos realmente idiotas — como Julia levando Ana na moto mesmo sabendo que ela está claramente mal. Qualquer pessoa normal teria parado o veículo. Mas o filme precisa continuar, então adeus lógica, adeus bom senso.
O plano‑sequência nos joga na loucura sem nunca explicar completamente o mundo. Os zumbis aqui lembram mais os demônios de “Evil Dead” do que os comedores de carne tradicionais, o que os torna mais interessantes e permite que suas personalidades apareçam — sim, personalidades de zumbis, você não leu errado.
Como acontece com muitos filmes, “MadS” não vai agradar a todos. Eu me interessei até pelos momentos mais banais por causa da jornada dos personagens, mas nem todo mundo vai embarcar nessa. A apresentação é diferente do que o público está acostumado, e isso pode dificultar o envolvimento. Ainda assim, trata-se de uma obra tensa e que certamente fará a ansiedade de muita gente atingir níveis alarmantes.
















