O Segredo de Widow´s Bay – 1ª Temporada (por Casal Doug Kelly)

Equilibrar risos e sustos é a estratégia de “O Segredo de Widow’s Bay” (Widow´s Bay, 2026), nova série da Apple TV com 10 episódios. Criada por Katie Dippold — roteirista do remake feminino de “Caça‑Fantasmas” (2016) e de vários episódios de “Parks and Recreation” — a série chega a ser divertida, às vezes arrepiante, e tem um certo charme retrô e só!

Matthew Rhys interpreta Tom Loftis, um viúvo — com um filho adolescente (Evan, vivido por Kingston Rumi Southwick) — que é prefeito de Widow’s Bay, uma ilha (fictícia) aparentemente aconchegante na costa da Nova Inglaterra. Sua principal apoiadora é Patricia, a assistente solitária e desajeitada — interpretada pela maravilhosa Kate O’Flynn — que o bombardeia com comentários sarcásticos e ressentidos como se fosse um esporte olímpico.

Tom sonha em transformar a ilha pacata numa nova Martha’s Vineyard (seja lá o que isso significa para nós brasileiros), cheia de turistas tomando cappuccino, lendo “The New York Times” e fingindo que têm casa de veraneio. Mas os moradores não gostam da ideia — em parte porque não querem gastar dinheiro com máquinas de café expresso, em parte porque Tom não consegue controlar nem o próprio filho, que fuma maconha e se mete em confusão como se fosse parte do currículo escolar.

Esses moradores supersticiosos também sabem algo que Tom insiste em negar: Widow’s Bay é, digamos… amaldiçoada. A ilha tem uma longa história de pestes, tufões devastadores, palhaços assassinos e aparições sobrenaturais. A cada poucos anos, tudo enlouquece violentamente — como se fosse um feriado local.

Quando um jornalista de viagens escreve um artigo elogioso sobre a ilha, turistas começam a chegar… e coisas ruins começam a acontecer. Névoas densas, sinos tocando sozinhos, figuras espectrais surgindo por aí. Tom é importunado por Wyck (Stephen Root), um capitão de barco ranzinza, que implora para ele impedir a chegada de mais visitantes. Mas Tom se recusa.

Erro monumental! Logo, Tom, Patricia e Wyck estão lutando para salvar a vida dos habitantes e dos turistas — o que, claro, exige confrontar o passado enterrado da ilha.

Embora tenha uma história principal, “O Segredo de Widow’s Bay” tem um tom quase antológico, explorando um subgênero diferente do terror a cada episódio. Há referência a slashers como “Halloween”, hotel assombrado à la “O Iluminado”, e até um flashback puritano à la “A Bruxa”. Esse último é dirigido por Ti West (X). É um time experiente de diretores para cada episódio, necessário para equilibrar suspense e humor irônico por tanto tempo.

Sem uma mitologia detalhada ou trama elaborada, os sustos se baseiam nas ansiedades dos personagens: Tom tentando controlar os riscos que Evan enfrenta; Patricia lidando com sua solidão; Wyck carregando arrependimentos; Evan tentando impressionar uma garota. Funciona… até certo ponto.

A série começa bem, com episódios de ritmo lento, mas interessantes. Porém, conforme avança, qualquer genialidade se dissipa. Na tentativa de criar algo peculiarmente encantador, Dippold reúne personagens levemente excêntricos (como Rosemary, interpretada por Dale Dickey) numa trama confusa e dispersa — sem falar nos dramas adolescentes que aparecem como quem não foi convidado, mas entrou mesmo assim.

Como serviço público, assistimos à série inteira. Ela melhora, sim, mas não o suficiente para justificar dez episódios de 30 a 48 minutos. E, como quase todas as séries hoje em dia, “O Segredo de Widow’s Bay” não termina de verdade — Dippold deixa a porta aberta para uma segunda temporada, que talvez não assistiríamos.

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