
Mais madura, mas com a mesma essência de sempre
Criada por Beau DeMayo, a segunda temporada de “X-Men ’97” amplia seus temas e entrega a preparação para uma batalha épica, sem esquecer que o amor é o começo e o fim de tudo.
Para compreender a importância e o potencial da segunda temporada de “X-Men ’97”, é preciso discutir, antes de tudo, a relevância de Apocalipse.
Um dos maiores vilões dos mutantes, talvez o maior deles, Apocalipse não apresenta uma moralidade tão ambígua quanto Magneto e é, simplesmente, um dos personagens mais interessantes e poderosos de todo o universo dos X-Men. Acreditando que apenas os mais fortes devem sobreviver, e se colocando no topo dessa pirâmide, o vilão chegou inclusive a dominar o mundo durante a minissérie “A Era de Apocalipse” (1995, Scott Lobdell e Mark Waid), principal inspiração da nova temporada.
Já nos primeiros episódios, percebemos que, assim como aconteceu durante a publicação de “A Era de Apocalipse”, cujos quadrinhos eram divididos em diferentes núcleos narrativos que convergiam para a queda do vilão, “X-Men ’97” adota uma estrutura semelhante.
Ambientada seis meses após o fim da primeira temporada, a série acompanha os X-Men perdidos no tempo. O primeiro episódio é focado no futuro de 3960; o segundo retorna ao presente e introduz a X-Force; por fim, um episódio duplo apresenta o núcleo mais interessante até aqui: o Egito Antigo e a ascensão de Apocalipse. A série parece estabelecer todos os campos de batalha e seus respectivos personagens antes de conduzir a história ao confronto definitivo.
À medida que o fim do mundo se aproxima, a produção demonstra uma maturidade maior do que a colorida temporada anterior e estabelece Cable como seu principal protagonista. Com o personagem ocupando o centro dos primeiros episódios, era natural que a narrativa amadurecesse junto de seu público.
Assim como na primeira temporada, a série continua sendo guiada pela ideia de que o amor é a força capaz de superar tudo. Seja por meio da relação entre Forge e Tempestade ou pelos laços da família Summers, a produção eleva as apostas ao discutir destino e os difíceis sacrifícios necessários para proteger aqueles que amamos, conduzindo-os ao futuro que acreditamos ser possível.
Ainda escrita por Beau DeMayo, a série mantém sua característica de condensar grandes arcos dos quadrinhos em subtextos ou momentos breves, como a recuperação de Wolverine após Magneto arrancar seu adamantium. Ainda assim, é inquestionável o cuidado com os temas abordados, enquanto a representação do cenário apocalíptico impressiona pela direção de arte, comprovando que o alto nível técnico permanece intacto.
Em seus primeiros capítulos, dois personagens se destacam. Tempestade abraça definitivamente sua condição de deusa e literalmente controla o Sol, enquanto Jubileu, após seis temporadas, considerando a série original e a primeira temporada de “X-Men ’97”, finalmente recebe uma sequência de ação à altura da personagem.
Com a divulgação dos títulos dos episódios da temporada, fica evidente que Apocalipse será o grande eixo narrativo. Além disso, diversos easter eggs sugerem capítulos focados em Wolverine e no projeto Arma-X, bem como a possível ressurreição de um personagem importante cuja morte heroica marcou a temporada anterior. O que já se torna claro, porém, é que esta nova fase aposta em uma maturidade emocional e temática ainda maior do que sua antecessora.
Ao mesmo tempo, os momentos de intimidade e desenvolvimento dos personagens continuam sendo uma prioridade. A temporada começa acompanhando Cable ainda como o jovem Nathan Summers e, posteriormente, apresenta um soldado amargurado que, por meio de Jubileu, reencontra parte da esperança e da humanidade que havia perdido, enfatizando novamente o tema do amor. Poucas produções conseguem equilibrar espetáculo e sensibilidade da forma como X-Men ’97 faz.
Nenhuma adaptação em live-action conseguiu alcançar esse mesmo nível de cuidado e de “profundidade na simplificação” que a animação demonstra. Com apenas uma trilha sonora poderosa e o olhar de Cable ao final do segundo episódio, compreendemos toda a trajetória emocional do personagem. Esse tipo de síntese narrativa talvez só seja possível em uma animação produzida com tamanho cuidado e potência quanto “X-Men ‘97”.
A segunda temporada de “X-Men ’97” estreia no Disney+ em 1º de julho de 2026.
















