
Armas em Jogo (Guns Akimbo, 2019) acompanha Miles (Daniel Radcliffe), um programador recém-solteiro, infeliz no trabalho e viciado em discutir com trolls na internet — ou seja, o retrato perfeito do “macho beta” que a própria internet inventou. Ele trabalha numa empresa que cria jogos cheios de microtransações para explorar crianças, o que já diz muito sobre o nível de desgraça da vida dele.
Numa noite particularmente ruim, Miles resolve entrar no Skizm, um site que coloca criminosos para se matarem ao vivo enquanto uma plateia de degenerados comenta como se fosse campeonato de eSports. É basicamente “O Sobrevivente” versão Twitch, com drones e filtros neon. A estrela do Skizm é Nix (Samara Weaving). O site é comandado por Riktor, um vilão tatuado interpretado por Ned Dennehy, que parece ter saído direto de um pesadelo.
Miles, bêbado e irritado, começa a xingar o Skizm nos comentários. Péssima ideia. O site rastreia seu IP, invade seu apartamento e, quando ele acorda… tem armas parafusadas nas mãos. Sim. Literalmente. Parafusadas… nas… mãos.
Se você acha esse conceito brilhantemente absurdo, parabéns: este filme é para você. Se acha idiota, talvez seja melhor assistir outra coisa. O filme abraça completamente a comédia de situação — desde Miles tentando usar o banheiro até tentando ligar para alguém com pistolas no lugar das mãos. Jason Lei Howden, que dirigiu “Deathgasm” (2015), ainda encontra momentos para explorar o horror corporal da ideia de ter parafusos atravessando a pele.
Com suas novas “mãos”, Miles é forçado a participar do Skizm. Ele precisa matar Nix ou morrer. Fugir da cidade? Também morre. O resto do filme acompanha Miles tentando sobreviver enquanto tudo explode ao redor dele — literalmente e figurativamente.
O filme é incrivelmente divertido. Howden cria um universo estiloso, frenético e cheio de personalidade. A câmera dança, gira, corre, pula — é videogame, é clipe musical, é caos puro. (Ironia do destino: o diretor ignorou a própria mensagem do filme sobre trolls e arrumou briga no Twitter usando a conta oficial do longa).
As atuações são ótimas. Radcliffe, desde Harry Potter, vem escolhendo projetos cada vez mais malucos, e aqui ele está completamente entregue ao papel. Mas quem rouba a cena é Samara Weaving (Casamento Sangrento), que transforma Nix numa personagem icônica — imoral, engraçada, viciada em adrenalina e cocaína, e absolutamente magnética. O ator Rhys Darby também aparece em momentos hilários como um morador de rua que ajuda Miles.
Nem tudo é perfeito: as reviravoltas são previsíveis e o estilo exagerado pode cansar quem não gosta de filmes “violência-cartunesca”. Mas, se você curte ação insana, humor ácido e estética de videogame, “Armas em Jogo” é uma delícia.













