
Em “Um Cadáver Para Sobreviver” (Swiss Army Man, 2016), Hank desistiu da vida. Está pronto para dar tchau, adeus, sumir do mapa. Mas, no exato momento em que está prestes a se suicidar, quem aparece na praia ao lado dele? Manny. Um cadáver. Um cadáver aparentemente morto — mas extremamente útil. E é aí que Hank ganha uma segunda chance de viver, porque nada reacende o propósito de um homem como encontrar um morto que funciona melhor do que muita gente viva.
Primeiro, Manny solta gases pós-morte tão potentes que Hank o usa como jet ski humano. Sim, você leu certo. Jet ski. De cadáver. E isso é só o começo. Manny tem habilidades tão específicas e tão… peculiares… que você começa a achar que ele é praticamente um canivete suíço humano. Ou pós-humano. Enfim.
Hank, por sua vez, tenta ensinar Manny a “viver” de novo — amor, amizade, sentimentos, essas coisas fofas. E Manny ajuda Hank a lembrar o que é ter um melhor amigo. É tipo “Náufrago” (2000), só que em vez de conversar com uma bola de vôlei, o protagonista conversa com Daniel Radcliffe morto.
O filme foi escrito e dirigido pelos Daniels (Dan Kwan e Daniel Scheinert), e é difícil acreditar que esse é o primeiro longa deles, pois foge de todos os clichês de estreia e parece obra de diretores que já fizeram uns dez filmes antes. É estranho? É. Muito. Mas é aquele estranho bom, criativo, refrescante — o tipo de ideia original que aparece uma vez a cada 200 remakes.
E o filme depende totalmente das atuações. Felizmente, Paul Dano e Daniel Radcliffe entregam tudo. A química entre eles é tão boa que você esquece que um deles está interpretando um cadáver peidorreiro. Eles carregam o filme com facilidade, mesmo quando a narrativa começa a ficar cansativa — porque sim, em 95 minutos de “homem conversa com morto”, eventualmente bate um belo cansaço.
Vale dizer: apesar de ter sido muito comentado no circuito de cinema de gênero, não é um filme de terror. Tem elementos de terror? Tem. Tem um zumbi que solta gases? Tem. Mas, no fundo, é uma comédia de amizade. Uma comédia emocionante, inclusive. A relação entre Manny e Hank é doce, sincera e mostra de forma criativa a importância da conexão humana. E também lembra que está tudo bem seguir seu próprio ritmo.
No fim, “Um Cadáver Para Sobreviver” é estranho (desde seu começo e principalmente em seu final), engraçado, tocante e completamente único. E se você achou essa descrição maluca, espere até assistir ao filme. É uma experiência que você não esquece tão cedo — mesmo que queira.













