Caçadores do Fim do Mundo (por Casal Doug Kelly)

Caçadores do Fim do Mundo (Afterburn, 2025), dirigido por J.J. Perry, é baseado na graphic novel homônima de Scott Chitwood e Paul Ens. O filme apresenta um futuro tão bagunçado que até Mad Max olharia e diria “calma, gente, exageraram”. Uma erupção solar frita a tecnologia da Terra inteira, deixando a sociedade entregue a saqueadores, senhores da guerra e pessoas que claramente não passaram no curso de convivência básica.

Dave Bautista interpreta Jake, um ex-caçador de tesouros que já viveu dias melhores e agora está preso a trabalhos mercenários que ele odeia com a mesma intensidade que odeia acordar cedo. Seu grande sonho? Turbinar seu barquinho e fugir do continente — basicamente o plano de aposentadoria de qualquer brasileiro.

Mas aí entra Samuel L. Jackson, interpretando… Samuel L. Jackson com título de “rei da guerra”. Ele coleciona conquistas humanas como quem coleciona Funko Pop, só para evitar que seus rivais façam o mesmo. Depois de Jake recuperar um violino Stradivarius (porque até no apocalipse tem gente com gosto refinado), ele recebe a missão definitiva: roubar a Mona Lisa do território de Volkov (Kristofer Hivju), um ex-general russo que parece ter saído direto de um tutorial de vilão e que tem como braço direito Gonyrych (Daniel Bernhardt).

A partir daí, o filme entrega exatamente o que você espera: explosões, perseguições, ação criativa e Bautista distribuindo porrada como se fosse brinde. O figurino e as locações fazem um ótimo trabalho mostrando um mundo devastado — aquele tipo de cenário que faz você agradecer por ainda ter Wi-Fi.

Mas aí vem o problema: o roteiro. No papel, o filme tinha tudo para ser incrível: premissa legal, elenco forte, ação estilosa. Mas o ritmo é tão irregular que parece ter sido editado por alguém que dormiu no meio do processo. Os diálogos são fracos, e Bautista fica preso a frases de efeito que soam como se tivessem sido escritas por um adolescente animado demais.

Para piorar, tentam enfiar um “quase-romance” com a personagem Drea (Olga Kurylenko), que aparece, sorri, some, volta, e no fim você nem lembra por que ela estava ali direito.

Com quase duas horas de duração, o longa se arrasta no segundo ato como se estivesse carregando uma mochila cheia de pedras. Se tivesse 90 minutos, seria muito mais divertido. O terceiro ato melhora, mas aí já estamos cansados e pensando no jantar. No fim das contas, “Caçadores do Fim do Mundo” não é um filme ruim, mas também não é bom. É… um filme!

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