
O documentário O ANO EM QUE O FREVO NÃO FOI PRA RUA, do paulistano Bruno Mazzoco e da pernambucana Mariana Soares, aborda como o carnaval de Recife e Olinda, por dois anos consecutivos, teve de se reinventar para resistir à pandemia covid-19, em 2021 e 2022. O filme estreou nos cinemas, em 23 de abril de 2026, com distribuição da Lira Filmes.
As memórias de folias antigas vêm à tona quando os entrevistados e entrevistadas se lembram do passado lamentado a ausência da festa nos dois anos de pandemia. O filme começa em 2021, primeiro ano que não foi possível sair às ruas, e segue até 2023, quando a retomada aconteceu e trouxe a alegria com segurança para as ruas novamente.
Com depoimentos de foliões famosos e anônimos, é possível compreender como foi necessária a parada naqueles dois anos, que deixou as ruas e praças do Recife e nas ladeiras centenárias de Olinda sem os sons, cores e festejos típicos da festa.
O compositor de frevo J. Michiles, por exemplo, recorda o Carnaval no passado, e, em especial de 1985 e do ano seguinte, quando o frevo, novamente, se popularizou. “Estava adormecido, e de repente voltou, na boca do povo, nas ruas, nos bares, becos e clubes, e na interpretação de Alceu Valença, com frevos antológicos que vão tocar em muitos e muitos carnavais. E o que é gratificante para o autor, é a gente fazer a música na solidão, e depois ver milhares de pessoas cantando nas ruas, nas ladeiras de Olinda.”
Rudá Rocha, carnavalesco filho Zé da Macuca, fundador do Boi da Macuca, aponta como é importante a presença de diversos músicos para que o frevo funcione. “Quando chega na boca do carnaval [de 2021], vem a restrição de que só pode fazer lives com no máximo 10 pessoas. Isso saiu desmanchando todo o planejamento que todas as agremiações fizeram por meses. Quando chegou em julho, agosto, as agremiações sabiam que não ia poder ter carnaval, e planejaram fazer lives, que era feito por toda a música do país. Foi um carnaval bem difícil, para além de não ter o carnaval presencial que a gente conhece.”
Entrevistados e entrevistadas meditam sobre a importância da festa, mas também da necessidade de ausentar naqueles dois anos, afinal, carnaval é uma celebração da vida, e foi preciso a proteger para que a festa pudesse retornar em 2023.
Além de J. Michiles e Rudá Rocha, estão no filme figuras conhecidas, como Zé da Macuca, fundador do Boi da Macuca, e falecido em 2021; Nena Queiroga, cantora e compositora, que há mais de 30 anos comanda multidões em cima dos trios elétricos do Galo da Madrugada; Carlos da Burra, manipulador do Homem da Meia-Noite; Fernando Zacarias, o seu Zacarias, porta-estandarte do Galo da Madrugada, considerado o maior bloco carnavalesco do mundo; Lúcio Vieira da Silva, maestro da Orquestra Henrique Dias, que anima dezenas de blocos e troças carnavalescas de Olinda; e Spok, maestro que se intitula como “último folião” por ser o responsável pela apresentação de encerramento dos festejos no marco-zero do Recife.
Combinando lembranças e expectativas, O ANO EM QUE O FREVO NÃO FOI PRA RUA é um filme emocionante que celebra a cultura brasileira e sua resistência diante das adversidades.
O longa já foi exibido no Cine PE, no qual ganhou o prêmio de Melhor Trilha Sonora, assinada por Diogo Felipe, e no In-Edit Brasil.
O ANO EM QUE O FREVO NÃO FOI PRA RUA
Brasil, 2024, 71 min
Direção: Bruno Mazzoco, Mariana Soares
Roteiro: Bruno Mazzoco, Mariana Soares e Renata Pimentel
Fotografia: Camilo Soares e Edver Hazin
Montagem: Ari Arauto
Som direto: Xisto Ramos, Mayra Coelho e Mateo Bravo
Desenho de Som: Diogo Felipe
Produção: Alba Azevedo, Milena Andrade e Amanda Nascimento
Produção Executiva: Juliana Lira, Roberto Gonçalves de Lima e Alba Azevedo
Pesquisa: Bruno Mazzoco, Mariana Soares e Amanda Nascimento
Distribuição: Lira Filmes
Sinopse: ANO EM QUE O FREVO NÃO FOI PRA RUA acompanha a preparação de alguns dos principais personagens do carnaval pernambucano – e também de alguns foliões anônimos – para a apoteose do carnaval de 2023. Os dois anos do cancelamento da festa por conta da pandemia de Covid-19 produziram momentos incolores de saudade, tristeza e expectativa. Mas também causaram arrebatamento no retorno da tão esperada festa. Seu enredo sintetiza, de certa forma, um pouco da jornada de dificuldades e sofrimento que os brasileiros, em alguma medida, passaram durante o período mais agudo da pandemia e traz a catarse que foi a volta da festa de rua no que para muitos foi o maior carnaval do século.
SOBRE OS DIRETORES
Bruno Mazzoco
Jornalista especializado em escrita criativa e diretor audiovisual. Acumula passagens por redações de TV, impresso e online, produtoras e agências de conteúdo. Entre 2020 e 2023 atuou como cinegrafista e diretor de fotografia de mini-docs para internet gravados no Brasil pela produtora inglesa Barcroft Studios. Foi responsável pela edição e finalização da versão em língua portuguesa dos vídeos da série “E Se”, produzidos pela produtora canadense Underknown. Colaborou, em 2021, como roteirista de vídeos educacionais para a editora Moderna. Realizou a pesquisa no Brasil para produção do livro “The Good Assassin: How a Mossad Agent and a Band of Survivors Hunter Down The Butcher of Latvia” (“O bom assassino: como um agente do Mossad e um bando de sobreviventes caçaram o açougueiro da Letônia”, em tradução literal, sem edição no Brasil), lançado em 2020, e escrito pelo jornalista Stephan Talty. Desde 2017 atua como produtor e diretor de conteúdo audiovisual, tendo realizado mais de cem mini documentários e entrevistas para internet, com foco nos temas de educação, direitos humanos, sustentabilidade e meio ambiente. Cobre educação desde 2013. Em 2015, foi indicado para o Prêmio Esso pela reportagem “Foco na Aprendizagem”, que conta a história de escolas em áreas de baixo nível socioeconômico com bons resultados educacionais. Produziu e dirigiu uma websérie sobre o mesmo tema para a revista Gestão Escolar. Atualmente trabalha na produção de uma biografia sobre importante sambista da capital paulista e na finalização do documentário “O Ano que o Frevo Não foi pra Rua”, que conta sobre a ausência do carnaval em Recife e Olinda por conta da pandemia de covid-19.
Mariana Soares
Jornalista com mais de dez anos de formação com passagens por redações de jornais e televisão em Recife e São Paulo. Em 2009, assumiu a área de conteúdo na TV CNT, em São Paulo. Estudou roteiro na Academia Internacional de Cinema (AIC), em 2011. Com a Mocho Produções, trabalhou como pesquisadora e roteirista na série ELAS, exibida no canal TCM/Turner, em 2014. Ao longo dos anos de profissão, se especializou em Branded Content & Entertainment, no Centro Cultural B_arco, Storytelling e transmídia e em Estratégias de Marketing em Mídias Sociais, na São Paulo Digital School. Desde 2019, coordena a Comunicação da área de Cultura do SESI-SP, tendo, entre as suas atribuições, a de criar roteiros e acompanhar a montagem de mini documentários para a divulgação das atividades da entidade.
SOBRE A DISTRIBUIDORA : Lira Filmes
A Lira Filmes atua na distribuição audiovisual desde 2018, buscando estabelecer sempre estratégias de comercialização em parceria com os produtores e realizadores, e procurando obras que apostem na diversidade cultural, impacto social, identidade de gênero, conquista de direitos e na desconcentração regional. Lançou os longas-metragens Saudade e O Circo Voltou, ambos de Paulo Caldas, O Verde Está Do Outro Lado, de Daniel Rúbio, Sefarad, de Luis Isamel, Faz Sol Lá Sim, de Claufe Rodrigues, Danças Negras, de João Nascimento e Firmino Pitanga, Luana Muniz – Filha Da Lua, de Rian Córdova e Leo Medeiros, Ménage, de Luan Cardoso, Luiz Carlini – Guitarrista De Rock, de Luiz Carlos Lucena e Tenho Fé, de Rian Córdova. Além da estreia de Nada Será Como Antes, de Ana Rieper, a Lira Filmes prepara o lançamento dos longas Lo Que Queda Em El Camiño, de Jakob Krese e Danilo do Carmo, O Barulho Da Noite, de Eva Pereira, Levante, de Lillah Halla, Três Reis, de Steven Phill e Rua Aurora – Refúgio De Todos Os Mundos, de Camilo Cavalcante.
















