Klee (por Peter P. Douglas)

Klee (2025), curta-metragem canadense, com 20 minutos de duração, exibido durante o 22º Fantaspoa, realizado entre os dias 8 e 26 de abril de 2026. A trama acompanha um alienígena enviado à Terra com a missão de invadir, seduzir e eliminar uma família de colonizadores na Sascachevão do século XIX.

Em “Klee”, o curta-metragem deliciosamente esquisito de Gavin Baird, qualquer tentativa de classificação cai por terra. Terror? Drama? Ficção científica? Comédia involuntária? A resposta é: sim. Estamos em 1885, numa vila de Saskatchewan, quando um meteoro cai no meio do nada e, de dentro dele, surge um alienígena com a forma de um homem indígena. A chegada dele à comunidade — composta por um mar de rostos brancos tão homogêneo que parece elenco de figurante — bagunça a calmaria local e, de repente, coisas estranhas começam a acontecer. E quando digo estranhas, quero dizer estranhas mesmo.

Baird conduz tudo com uma melancolia tão desconfortável que você fica sem saber se deve refletir sobre intolerância racial ou se preparar para ver alguém explodir. O filme é uma mistura de ironia, horror corporal e humor negro (sexual) que faz você pensar: “não sei o que está acontecendo, mas estou entretido”.

A cada minuto, “Klee” parece ter sido criado por alguém que decidiu ignorar completamente as regras narrativas e seguir apenas a intuição. O design de som distorcido e a fotografia melancólica criam a sensação de que algo está muito errado — e está mesmo. O curta pulsa com a energia de quem quer surpreender e deixar o público com aquela expressão de “pera… o quê?”.

As críticas ao colonialismo estão ali, brilhando como neon em noite chuvosa. A figura alienígena chega, causa tensão, causa doença, causa confusão — e a família local (a filha, depois a mãe e, por fim, o pai) vão sendo engolidos (às vezes literalmente) por essa presença inexplicável. O filme não explica nada: nem motivações, nem desejos, nem lógica. E mesmo assim, faz sentido!

Daria para transformar “Klee” em um longa? Talvez. Mas a verdade é que esse formato curto, cheio de perguntas sem resposta e mistérios que deixam o público coçando a cabeça, parece ser a forma ideal de confundir, desafiar e divertir quem assiste.

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