
Boom Girl: A Caçadora de Frequências (2025), curta-metragem nacional, com 05 minutos de duração, exibido durante o 22º Fantaspoa, realizado entre os dias 8 e 26 de abril de 2026. A obra é dirigida por Chris Tex, e apresenta uma narrativa de ação e fantasia urbana que funciona como uma prova de conceito para um longa-metragem.
A história acompanha uma jovem que possui uma sensibilidade auditiva extraordinária e busca por um som específico que marcou seu passado: o do desaparecimento de sua mãe. Durante sua procura, nossa heróina intervém em uma situação de assédio, enfrentando um grupo de quatro homens para proteger outra mulher.
A característica distintiva da personagem é o uso de seu equipamento de captação de áudio — especificamente o microfone boom — como uma arma de artes marciais, misturando técnicas de combate com a manipulação de frequências sonoras. É como se Bruce Lee tivesse sido contratado para trabalhar no som e tivesse decidido inovar.
Segundo o diretor, a ideia surgiu da observação dos operadores de áudio nos sets de filmagem, os quais descreveu como “ninjas das sombras” que precisam de grande habilidade física para posicionar o microfone sem entrar no enquadramento. Ele imaginou como seria se esse profissional utilizasse o bastão do microfone em combates no estilo de Jackie Chan.
E dá muito certo. A escolha não é só estética, é praticamente uma homenagem a todos os profissionais que passam o dia equilibrando um mastro gigante como se estivessem jogando “Just Dance” no modo extremo.
O som, nesse universo, não é só atmosfera. A protagonista vive movida por um “eco infinito”, que é basicamente o trauma auditivo versão Dolby Atmos. Essa hipersensibilidade dita o ritmo das lutas, que parecem coreografadas por alguém que decidiu sincronizar socos com batidas de percussão. No curta, a justiça é cega, mas não surda: funcionando na frequência certa. É quase uma aula de física com porrada.
A influência do cinema de ação de Hong Kong é clara. Os movimentos são fluidos, os objetos do cenário viram armas improvisadas e a luta contra o grupo de assediadores é tão bem decupada que até quem não entende nada de cinema consegue perceber que ali tem técnica. Nada de cortes frenéticos para esconder falhas: aqui a câmera deixa tudo exposto, como se dissesse “olha só, a gente treinou mesmo”.
Em geral, “Boom Girl: A Caçadora de Frequências” se destaca pela execução técnica refinada, especialmente considerando se tratar de um curta independente que busca financiamento coletivo para ser desenvolvido como longa-metragem. Ele equilibra um drama pessoal traumático com o lúdico das artes marciais, criando uma mitologia própria em poucos minutos. É curto, mas deixa claro que veio para marcar presença — e talvez para fazer você olhar com mais respeito para o operador de áudio no próximo making-of.
















