Cinco Tipos de Medo (por Peter P. Douglas)

Cinco Tipos de Medo (2025), longa-metragem nacional de drama, distribuído pela Downtown Filmes, estreia, oficialmente, nos cinemas brasileiros, a partir de 09 de abril de 2026, com classificação indicativa 16 anos e 107 minutos de duração.

Dirigido por Bruno Bini, “Cinco Tipos de Medo” é aquele tipo de filme que chega com cara de drama sério, mas logo mostra que também está interessado em ação, efeito dominó e uma narrativa tão não linear que parece ter sido montada por alguém que embaralhou o roteiro e pensou “ficou ótimo assim”. Tudo isso ambientado na periferia de Cuiabá, porque emoção pouca é bobagem.

A história acompanha Murilo (João Vitor Silva), um violinista que parece ter saído direto de um drama europeu; Marlene (Bella Campos), enfermeira e interesse amoroso de Murilo, porque sempre tem que ter um romance para complicar tudo; Sapinho (Xamã), traficante e namorado abusivo de Marlene, provando que apelido fofo não garante personalidade agradável; Luciana (Bárbara Colen), policial lidando com a perda do filho para o tráfico; e Ivan (Rui Ricardo Diaz), advogado que também carrega sua própria tragédia pessoal. É praticamente um “Vingadores do Sofrimento”, cada um com seu trauma, todos destinados a se cruzar de maneiras cada vez mais catastróficas.

A narrativa não linear faz você montar o quebra-cabeça enquanto o filme joga peças novas no seu colo sem aviso. E funciona: quanto menos você souber antes de assistir, maior o impacto — é quase um jogo de adivinhação cinematográfica.

Mesmo com algumas escolhas de roteiro que fazem você olhar para a tela e pensar “pera, isso aconteceu antes ou depois?”, o filme acerta muito no conjunto. As atuações são tão boas que até as participações rápidas de Rejane Faria (Dona Antônia) e Zé Carlos Machado (Régis) parecem aquelas cerejas colocadas no topo só para mostrar que o confeiteiro caprichou.

No fim, “Cinco Tipos de Medo” entrega exatamente o que promete: drama, tensão, caos, bons atores e uma narrativa que te deixa tentando entender tudo enquanto o filme já está te levando para outra reviravolta. É uma experiência — e das boas.

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