Zombeavers – Terror no Lago (por Casal Doug Kelly)

Fazer um filme propositalmente idiota é mais complicado do que parece. Quanto mais absurdo o conceito, mais esperta precisa ser a equipe por trás dele — e convenhamos, “castores zumbis” é um dos conceitos mais tolos já concebidos. Ainda assim, juntar essas duas palavras já exige um mínimo de esperteza (é fácil imaginar que o título surgiu antes de qualquer roteiro), e transformar essa bobagem em um longa-metragem exige um tipo muito específico de criatividade.

Por volta do ano de 2010, surgiram vários filmes que pareciam existir apenas porque alguém achou graça no título — “Sharknado”, “Sharktopus” e tantos outros. Mas poucos conseguiram transformar a própria estupidez em algo realmente divertido. A dúvida é: Zombeavers – Terror no Lago” (2014) entra para o time dos que arrancam risadas ou para o grupo dos que fazem o público lamentar a experiência.

A trama começa quando um barril de substâncias tóxicas cai de um caminhão e contamina um rio, transformando castores locais em criaturas agressivas, de olhos esbranquiçados e sede de sangue. O azar recai sobre Mary, Zoe e Jenn, três universitárias que viajam para a cabana da prima de Mary para um fim de semana de descanso — ou, no caso de Jenn, para tentar superar o término com Sam, seu ex infiel. O que elas não sabem é que seus namorados decidem aparecer de surpresa para beber, transar e tentar resolver seus dramas pessoais.

A calmaria acaba quando um castor morto-vivo invade a cabana e ataca o grupo. Eles conseguem matar a criatura e jogá-la em um saco de lixo, acreditando que o problema terminou. No dia seguinte, porém, enquanto relaxam em uma jangada, os castores retornam em bando, arrancam o pé de Buck — o namorado grosseiro de Zoe — e ainda matam o cachorro dela. Desesperados, os jovens se dividem: parte fica na cabana, parte tenta levar Buck para receber ajuda antes que ele morra.

Mas os castores não são o único problema. Logo, os personagens mordidos começam a apresentar sintomas estranhos e, antes que percebam, estão se transformando em híbridos grotescos de humanos e castores. A situação degringola rapidamente, e os sobreviventes precisam fugir antes de serem cercados por uma mistura de mortos-vivos e mutantes.

Quando lembramos que o filme vem de produtores envolvidos em “American Pie” e “Cabana do Inferno”, tudo se encaixa. Embora só um desses filmes envolva jovens em uma cabana, ambos compartilham personagens exagerados, obcecados por sexo e com um nível de estupidez que desafia qualquer lógica. A diferença é que “Zombeavers” abraça completamente o tom cartunesco: os estudantes são tão caricatos que praticamente só falam sobre sexo, e o filme se enche de trocadilhos envolvendo “castor”, indo de insultos óbvios a piadas que você provavelmente adivinha antes mesmo de serem ditas.

É fácil descartar o filme por suas piadas batidas, diálogos ruins e atuações duvidosas. Mas é preciso lembrar que ninguém faz um filme chamado Zombeavers” sem saber exatamente o tipo de humor que está criando. Se você entrar na brincadeira, o filme se revela uma comédia tosca e divertida, que ri de si mesma o tempo todo e se orgulha disso. Não tem frases icônicas como “francamente, minha querida…”, mas tem um velho rabugento reclamando que “são só aquelas crianças dançando Lady Gaga”, o que, dentro do contexto, é uma pérola de nonsense.

As melhores risadas, porém, vêm dos efeitos práticos e da violência exagerada. Os castores são apresentados como animatrônicos trêmulos ou fantoches de mão, e justamente por serem tão artificiais acabam funcionando — lembram produções trash dos anos 80. E quando o filme decide que uma mordida transforma a pessoa em um castor gigante, com dentes enormes, ele abraça de vez o absurdo. É claramente inspirado no neozelandês Black Sheep” (2006), mas ainda assim surpreende.

Mesmo sendo fácil classificá-lo como mais um filme barato sobre animais assassinos, “Zombeavers” tem charme próprio — e ainda conta com participações inesperadas de Bill Burr e John Mayer. Os créditos finais, com erros de gravação e uma música-tema descrevendo os personagens fugindo de dentes de castor, selam o espírito da produção: uma bobagem consciente, exagerada e, acima de tudo, muito divertida.

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