
Vencer ou Morrer (Vaincre ou Mourir, 2022), longa-metragem francês de guerra, distribuído pela Kolbe Arte, estreia, oficialmente, nos cinemas brasileiros, a partir do dia 05 de junho de 2025, com classificação indicativa 14 anos e 97 minutos de duração.
O cinema histórico francês frequentemente revisita momentos cruciais de sua trajetória, e “Vencer ou Morrer” se insere nessa tradição ao abordar um dos conflitos mais controversos da Revolução Francesa: a Guerra da Vendeia. Dirigido por Paul Mignot e Vincent Mottez, o filme se concentra na figura de François-Athanase Charette de La Contrie, um dos líderes da resistência monarquista contra as forças republicanas.
A trama se desenrola na França revolucionária de 1793, quando Charette, após três anos de tranquilidade em seu castelo, é chamado de volta por camponeses furiosos para liderar a insurreição da Vendeia. O filme acompanha sua jornada como comandante dos exércitos vendeanos, enfrentando batalhas brutais contra as tropas republicanas e tentando preservar sua fé, sua terra e seu povo.
A narrativa equilibra momentos de ação intensa com reflexões sobre lealdade, sacrifício e honra, destacando o dilema de Charette entre sua devoção à monarquia e a brutal realidade da guerra.
O filme conta com um elenco talentoso que dá vida aos personagens históricos, sendo Hugo Becker como Charette; Rod Paradot como François Prudent Hervouët de La Robrie, um dos aliados de Charette; Grégory Fitoussi como Jean-Pierre Travot, comandante republicano que se torna um dos principais antagonistas; Constance Gay como Céleste Bulkeley, uma combatente da resistência; Jean-Hugues Anglade como Albert Ruelle, figura influente na Revolução; Francis Renaud como Jacques-Louis Maupillier, um dos guerreiros vendeanos.
O elenco entrega performances convincentes, especialmente Hugo Becker, que transmite a complexidade de Charette — um líder carismático, mas atormentado pelas escolhas que precisa fazer.
Os diretores adotam uma abordagem cinematográfica que mistura realismo histórico com uma estética grandiosa. As cenas de batalha são intensas e bem coreografadas, capturando a brutalidade do conflito sem afastar o impacto emocional.
A fotografia destaca os contrastes entre os campos da Vendeia e os cenários urbanos da Revolução, reforçando a divisão entre os monarquistas e os republicanos. A trilha sonora de Nathan Stornetta complementa a atmosfera épica, elevando os momentos de tensão e heroísmo.
A Guerra da Vendeia foi um dos episódios mais sangrentos da Revolução Francesa, ocorrendo entre 1793 e 1796. A região da Vendeia, predominantemente católica e monarquista, se rebelou contra o governo republicano, resultando em uma guerra civil devastadora.
Charette emergiu como um dos principais líderes da resistência, organizando exércitos camponeses para lutar contra as forças revolucionárias. O conflito foi marcado por massacres e represálias brutais, tornando-se um dos capítulos mais controversos da história francesa.
O filme busca retratar essa guerra sob a perspectiva dos monarquistas, enfatizando sua luta pela fé e pela tradição. No entanto, para alguns espectadores, a obra pode apresentar uma visão parcial dos eventos, favorecendo os insurgentes vendeanos em detrimento dos republicanos.
Em resumo, “Vencer ou Morrer” é uma produção ambiciosa que mergulha em um período turbulento da história francesa. Com uma narrativa envolvente, atuações sólidas e uma direção visual muito bem construída, o filme oferece uma visão épica da Guerra da Vendeia. E embora sua abordagem possa gerar debates sobre a imparcialidade histórica, a obra se destaca como um retrato cinematográfico crível de um conflito muitas vezes negligenciado. Para os fãs de filmes históricos e dramas de guerra, será uma experiência satisfatória.








