Uma Segunda Chance (por Peter P. Douglas)

Uma Segunda Chance (Reminders Of Him, 2026), longa-metragem estadunidense de drama e romance, distribuído pela Universal Pictures, estreia, oficialmente, nos cinemas brasileiros, a partir de 19 de março de 2026, com classificação indicativa 14 anos e 114 minutos de duração.

Dirigido por Vanessa Caswill, “Uma Segunda Chance” segue a tradição das adaptações de Colleen Hoover — aquela tradição em que todo mundo sofre, chora e, se apaixona no meio do luto. Só que, desta vez, o pacote vem com menos emoção e mais cara de “filme de domingo à tarde que você deixa passando enquanto dobra roupa”.

Esta nova adaptação se mostra menos eficiente dentro do conjunto de obras da autora no cinema, apresentando um romance pouco convincente, um roteiro frágil e reviravoltas previsíveis. Mas seu maior problema é a sensação de que a narrativa demora excessivamente para se desenvolver.

A história acompanha Kenna (Maika Monroe), que volta para sua cidadezinha no Wyoming depois de cumprir pena pela morte acidental do noivo, Scotty (Rudy Pankow). Ela quer recomeçar a vida, conhecer a filha e, quem sabe, não ser tratada como uma ameaça pelos sogros Patrick (Bradley Whitford) e Grace (Lauren Graham). Mas, como nada é simples no universo Hoover, Kenna não consegue emprego, não consegue perdão e só consegue mesmo um drink no bar de Ledger (Tyriq Withers), o melhor amigo do falecido — e atual “pai” substituto da criança. Aos poucos, amizades e sentimentos vão se formando e definindo novos caminhos na vida dos envolvidos.

O filme tenta ser profundo, — apresentando ao público gradualmente diferentes camadas do luto de Keena — mas entrega aquele drama lacrimoso com cara de produção feita diretamente para TV. As cenas emocionais são filmadas como se alguém tivesse dito “vamos fazer algo bem intenso”, mas o resultado parece mais “ensaio geral gravado por engano”. Tim Ives ilumina tudo com carinho, mas nem a melhor luz do mundo salva diálogos que soam artificiais.

Entre um sofrimento e outro, aparecem personagens secundários que parecem ter histórias interessantes, mas que somem tão rápido que você quase acha que os imaginou. Eles aparecem principalmente para reforçar características dos protagonistas ou auxiliá-los. Os avós de Diem (Zoe Kosovic), por exemplo, têm participações limitadas e pouco desenvolvidas, subaproveitando seus intérpretes que, parecem estar atuando sem muito entusiasmo.

E o romance? Bom… existe. Tecnicamente. Mas a química entre Maika Monroe e Tyriq Withers é tão tímida que parece que os dois foram apresentados cinco minutos antes da filmagem. Monroe é ótima atriz, mas aqui parece deslocada, como se estivesse em um filme mais profundo do que o que realmente existe. Já Withers engole o elenco inteiro — o que é ótimo para ele, mas péssimo para o equilíbrio da história.

No geral, “Uma Segunda Chance” tenta encontrar amor nas cinzas da tragédia, mas acaba tão obcecado com o sofrimento que esquece de construir o romance. É como se o filme dissesse: “Você quer emoção? Toma trauma”. E o amor fica ali, espremido entre flashbacks e lágrimas.

Depois de três adaptações de Hoover, fica claro que dessa vez recebemos um retorno menor. O filme tem quase duas horas, mas rende menos do que um capítulo de novela. Ainda assim, sigo esperançoso pela próxima adaptação — porque, se tem algo que Hoover sabe fazer, é drama. Só falta o cinema acompanhar com maestria.

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