Um Drink no Inferno 3: A Filha do Carrasco (por Peter P. Douglas)

Antes de mais nada, é importante dizer que, vocês não leram errado: Sônia Braga interpreta a personagem Quixla na terceira parte da franquia “Um Drink no Inferno”. E quanto tempo de tela ela tem? O suficiente para você pausar o filme, olhar para o nada e perguntar: “Mas… por quê?”

É aquele tipo de participação que parece ter sido decidida numa conversa de corredor, talvez entre um café e um “topa fazer uma ponta num filme de vampiro no deserto?”. E, como sempre, Sônia Braga entrega presença — mesmo que o filme entregue… bem, quase nada em troca.

Feita essa ressalva, vamos nos aprofundar na análise. “Um Drink no Inferno 3: A Filha do Carrasco” (From Dusk Till Dawn 3: The Hangman’s Daughter) foi lançado com poucos meses de diferença, de seu antecessor (ambos de 1999), possuindo capas semelhantes, e parecendo até filmes feitos pelas mesmas pessoas. Mas, na realidade, não são. Cada filme é uma produção independente, com roteiristas, diretores e elencos distintos. E a diferença mais gritante? Esse terceiro filme é uma prequela — porque quando você não sabe para onde ir, voltar no tempo sempre parece uma boa ideia.

Ambientado 100 anos antes do original, a trama acompanha o escritor Ambrose Bierce, interpretado por Michael Parks, que já tinha dado as caras no primeiro filme, mas como outro personagem — porque coerência é opcional. Bierce está tentando se juntar ao exército de Pancho Villa, alegando ter algo valioso para oferecer. Naturalmente, isso atrai bandidos, tiros, caos e, claro, uma parada estratégica na estalagem que um dia se tornaria o lendário Titty Twister. A partir daí, você já sabe exatamente o que vai acontecer. E sim, acontece.

O curioso é que “A Filha do Carrasco” é, de fato, melhor que “Texas Sangrento”. O que não é exatamente um elogio, mas já é alguma coisa. Aqui, pelo menos, existe uma tentativa real de se conectar ao universo do primeiro filme — algo que a segunda parte ignorou completamente enquanto fazia cosplay de “assalto a banco com vampiros”. A prequela faz referências claras e tenta parecer parte da família.

Michael Parks domina a tela como o estoico, bêbado e deliciosamente rabugento Bierce. O resto do elenco… bem, existe. Danny Trejo está presente (trincou na franquia). As duas protagonistas femininas se destacam mais pela beleza do que por qualquer profundidade dramática (Ai Soninha!). Rebecca Gayheart aparece e, por um momento, você pensa: “Nossa, ela estava em vários filmes famosos, né?”. Aí você checa o IMDB e descobre que não, não estava. A memória prega peças.

O maior problema do filme é o elenco gigantesco que aparece do nada no terceiro ato. Todo mundo se amontoa no Titty Twister como se fosse uma festa open bar. Em vez de criar tensão com um grupo pequeno cercado por vampiros, o filme opta por jogar uma multidão inteira na briga. Resultado: confusão, barulho e zero impacto.

No fim das contas, “Um Drink no Inferno 3: A Filha do Carrasco” não chega nem perto do clássico original — mas oferece 90 minutos de diversão despretensiosa no universo da franquia. Menos efeitos especiais duvidosos, mais efeitos práticos decentes. Não é um grande filme, mas considerando o tipo de sequência que costuma ir direto para vídeo… você já viu coisa muito pior.

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