Um Drink no Inferno 2: Texas Sangrento (por Peter P. Douglas)

Um Drink no Inferno 2: Texas Sangrento (From Dusk Till Dawn 2: Texas Blood Money, 1999) foi lançado diretamente em DVD e é aquele tipo de sequência que chega ao mundo carregando um fardo pesado: substituir um clássico cult que tinha Tarantino, Clooney e, principalmente, Salma Hayek dançando semi-nua com uma cobra. E o que esta continuação oferece em troca? Bem… absolutamente nada disso. Nem cobra, nem Clooney, nem Tarantino — só saudade.

A trama gira em torno de um grupo de criminosos tentando assaltar um banco no México, porque aparentemente ninguém no universo de “Um Drink no Inferno” ouviu falar de carreiras menos arriscadas. Um deles cruza com Razor Eddie (Danny Trejo, o único que voltou, provavelmente porque já estava no set por hábito). Quando um dos criminosos (o que cruzou com Razor) vira vampiro, o grupo descobre que enfrentar a polícia era a parte fácil.

O filme é bem abaixo da média, mas não tão ruim quanto diversos títulos atuais. Ainda mais se considerarmos que passamos duas décadas vendo Bruce Willis cochilando em cena e Steven Seagal lutando contra a própria mobilidade, este filme até parece… tolerável.

Dirigido por um amigo de Sam Raimi, o filme tem alguns lampejos de criatividade. Scott Spiegel tenta imitar Raimi com ângulos de câmera tão ousados que às vezes parecem acidentais. Ele filma de dentro de tudo: buracos, objetos, gargantas de vampiro — literalmente. É o tipo de coisa que a Hollywood atual não faz mais, talvez porque ninguém mais queira enfiar uma câmera dentro de uma jugular cenográfica.

O filme também tem a decência de usar locações reais. E, mesmo sem Clooney ou Tarantino, há rostos conhecidos: Robert “T‑1000” Patrick como protagonista, Raymond Cruz interpretando mais um criminoso latino (porque tradição é tradição), e até participações relâmpago de Bruce Campbell e Tiffany Amber Thiessen.

Mas ser “menos ruim que muito título atual” não transforma nada em bom. O roteiro é raso, os diálogos são reciclados, os efeitos são sofríveis e não existe uma única cena imperdível. Recomendo, “Um Drink no Inferno 2: Texas Sangrento” apenas para quem quer assistir à trilogia completa da franquia.

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