Um Drink no Inferno 1 (por Casal Doug Kelly)

Um Drink no Inferno 1 (From Dusk Till Dawn, 1996) é aquele tipo de filme que nasce já com a carteirinha de “clássico cult” pronta. Afinal, quando você junta Quentin Tarantino escrevendo e atuando, Robert Rodriguez dirigindo, e ainda joga no pacote uma mudança de gênero no meio do filme que faz o público achar que apertou o botão errado do controle remoto, o resultado só podia ser esse. Tarantino e Rodriguez sempre tiveram talento para criar filmes adorados por nichos — a diferença é que, aqui, praticamente qualquer fã de cinema consegue embarcar na loucura.

A primeira metade é um thriller policial cheio de diálogos afiados e tensão crescente. A segunda metade? Bem, aí o filme decide virar um festival de vampiros dignos de um drive‑in dos anos 70, com sangue, tripas e caos absoluto. É como se alguém tivesse trocado o rolo do filme no meio da sessão e ninguém tivesse reclamado.

A história acompanha os irmãos Gecko: Seth (George Clooney), o criminoso profissional e relativamente funcional, e Richie (Tarantino), o psicopata que prova que nem todo mundo deveria ter permissão para sair de casa sem supervisão. Durante a fuga, eles sequestram a família Fuller — um pastor em crise de fé (Harvey Keitel) e seus filhos Katherine (Juliette Lewis) e Scott — e seguem rumo ao México.

O destino final é o lendário bar “The Titty Twister”, onde, teoricamente, deveriam esperar um “contato” ao amanhecer. Mas basta Salma Hayek aparecer com uma cobra e uma coreografia hipnótica para tudo desandar. Funcionários do bar — incluindo Cheech Marin e Danny Trejo — revelam-se vampiros e transformam o lugar em um buffet de sangue.

Presos ali dentro, os Geckos, os Fullers, um motoqueiro chamado Sex Machine (Tom Savini) e um veterano do Vietnã (Fred Williamson) precisam sobreviver à noite. É um time improvável, mas, convenhamos, ninguém entra num bar chamado Titty Twister” esperando normalidade.

Os efeitos práticos são deliciosamente grotescos, com vampiros que parecem ter saído de um pesadelo de borracha e látex. Há até um monstro‑rato porque… por que não? O CGI envelheceu mal, mas quando Tom Savini saca um revólver preso na virilha, quem está preocupado com realismo?

E, no meio de toda essa insanidade, o filme ainda consegue fazer você se importar com os personagens. Quando alguém morre, dói — mesmo que você tenha passado metade do filme pensando “esse aí não dura dez minutos”.

No fim das contas, “Um Drink no Inferno 1” é sujo, exagerado, violento, engraçado, cheio de palavrões e absolutamente caótico — e é exatamente por isso que funciona tão bem. É uma das experiências mais insanas da década passada e continua irresistível até hoje. Sim, ele ganhou uma sequência, uma prequela e até uma série de TV, mas sejamos sinceros: tudo o que você realmente precisa ver é esse primeiro filme.

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