
Três pessoas interligadas por um evento misterioso: um detetive que consegue ver e falar com os mortos, uma senhora que morreu e busca informações sobre quem ou o que causou sua morte, e uma jovem mulher que está em busca de sua mãe desaparecida. Essa é a trama central do longa dirigido por Henrique Sattin. A premissa chama atenção e desperta a curiosidade dos olhares curiosos. A expectativa, ao ver o trailer e sua sinopse, era assistir um filme cativante, no estilo ‘’O Sexto Sentido’’ (1999). Contudo, o roteiro superficial e a execução básica acabam por limitar o alcance da história e impedir que ela atinja todo o seu potencial.
Não me entenda mal: o roteiro tem pontos interessantes e, aos poucos, aprofunda os personagens e o mistério que rodeia os cercam. Mas, na minha visão, no meu ver, ainda faltou algo para aproximar o público dos seus protagonistas, seja por identificação ou interesse.
No longa, somos introduzidos logo na primeira cena, ao personagem do detetive Carlos (Marco Lobo), que conversa com um possível cliente que quer descobrir com quem sua esposa o trai. Já nos primeiros minutos, o filme já revela uma informação importante: Carlos tem habilidade de ver e falar com os mortos. Em seguida, ele é procurado pelo fantasma da senhora Vanessa (Glauce Graieb), que acredita ter sido assassinada, e pede ajuda para investigar o que aconteceu. Inicialmente, Carlos se recusa, afirmando que não aceita casos sem pagamento no mundo real/físico. Mas, quando Gigi (Gabriella Spacciari), filha de Vanessa, o procura oferecendo um pagamento para investigar o desaparecimento da mãe, ele aceita o caso. A partir daí, a trama segue uma lógica investigativa que acompanha esses três personagens em uma teia de segredos, mentiras e fatos que cercam os relacionamentos familiares.
A primeira parte do filme, dedicada a apresentar os personagens, fatos principais, e construir as dinâmicas de cooperação entre eles, avança de uma forma lenta e arrastada. A trilha sonora com um estilo que não me parece muito alinhada ao tom do filme, não contribuí a trazer o ritmo desejado. Além disso, as constantes mudanças de cenários, em curtos espaços de cena em tela, mostrando os personagens transitando em diversos pontos da cidade de Águas de Lindóia, parecem mais um esforço de mostrar os pontos turísticos e de lazer da cidade do que demonstrar a passagem de tempo, que era o intuito da sequência. O resultado é uma sensação de um filme ‘’recortado’’, com uma estética publicitária da cidade.
Na segunda parte, com a narrativa já bem estabelecida, novos personagens são introduzidos: os parentes da família de Vanessa e Gigi, e um arco de romance entre os protagonistas começa a se desenhar. Essa parte flui melhor, avançando na história e respondendo as perguntas levantadas anteriormente. Contudo, o seu desenrolar se torna, em certo ponto, previsível.
O ponto alto do filme está no tom cômico bem construído da relação entre Carlos e Vanessa. A parceria entre Marco Logo e Glauce Graieb funciona e rende os melhores momentos do longa. Juntos, eles trazem uma leveza ao mistério e ainda ajudam a Gigi a lidar com o luto e a seguir em frente.
Em resumo, ‘’Um caso de Outro Mundo’’ é um filme que cumpre o seu papel de entreter, mas não explora todo o potencial que a história poderia oferecer. Ainda assim, oferece bons momentos, especialmente à mistura da comédia com investigação sobrenatural.













