Tom e Jerry: Uma Aventura no Museu (por Casal Doug Kelly)

Tom & Jerry: Uma Aventura no Museu (Mâo Hé Lâoshâ: Xîng Pán Qí Yuán AKA Tom & Jerry: Forbidden Compass, 2025), longa-metragem de animação, coprodução chinesa e estadunidense, distribuído pela Imagem Filmes, estreia, oficialmente, nos cinemas brasileiros, a partir de 08 de janeiro de 2026, com classificação indicativa Livre e 104 minutos de duração.

A animação marca o retorno da dupla após muitos anos, mas faz isso de um jeito curioso: colocando os dois quase como coadjuvantes dentro da própria história. A direção de Gang Zhang aposta em usar os personagens como porta de entrada para apresentar ao público ocidental elementos da mitologia e da cultura chinesa, funcionando mais como um chamariz do que como protagonistas de fato.

O filme começa de maneira familiar, com Jerry tentando invadir um museu onde Tom trabalha como segurança. A perseguição inicial remete aos clássicos curtas, mas logo a trama muda de rumo quando os dois ativam uma bússola mágica que os transporta para outra época. Nesse novo mundo, Tom é confundido com uma divindade, enquanto Jerry cruza o caminho de um vilão que deseja o artefato. Apesar disso, quem realmente conduz a história é o Mestre Fênix, um deus preso em forma humana que recebe o arco dramático mais completo do longa.

Boa parte da aventura gira em torno desse personagem, deixando Tom e Jerry como peças que movimentam a trama, mas sem grande impacto emocional. Há momentos de humor típicos da dupla, além de referências aos curtas clássicos e até números musicais inesperados, mas a sensação predominante é de que eles foram deslocados para o segundo plano. No terceiro ato, isso fica ainda mais evidente, quando a história assume proporções épicas e se distancia quase totalmente do espírito caótico que sempre definiu os dois.

O filme funciona melhor como homenagem à cultura chinesa do que como uma produção centrada na dupla. Há referências ao horóscopo, cenários grandiosos e sequências que lembram outras animações orientais de fantasia. A animação 3D, mesmo com orçamento modesto, entrega momentos criativos, especialmente quando mistura estilos e brinca com elementos em 2D. Ainda assim, falta o tipo de humor físico e anárquico que sempre foi a marca registrada de Tom e Jerry.

No fim, “Tom & Jerry – Uma Aventura no Museu” diverte crianças e fãs ocasionais, mas deixa a impressão de que teria sido mais interessante se tivesse abraçado de vez o caos cartunesco da dupla ou, ao menos, lhes dado mais espaço dentro da própria história. Como filme de fantasia, funciona; como filme de Tom e Jerry, é mais esquecível do que deveria.

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