
Ataque Brutal (Thrash, 2026), longa-metragem estadunidense de terror, estreia, oficialmente, no streaming da Netflix, a partir de 10 de abril de 2026, com classificação indicativa 16 anos e 86 minutos de duração.
Em “Ataque Brutal”, quando um furacão de categoria 5 (quase 6, como diz um dos coadjuvantes) devasta uma cidade costeira americana (Annieville na Carolina do Sul), a maré de tempestade traz consigo destruição, caos e algo muito mais assustador: tubarões famintos.
A Netflix nos brinda com aquele tipo de filme que tenta ser um desastre climático com tubarões, mas acaba sendo… só um desastre mesmo. Ele pisca para o público o tempo todo, como quem diz “relaxa, é para rir”, mas suas piadas forçadas e violência sanguinolenta nunca chegam ao nível de algo realmente divertido. É emocionalmente contido, mas não por profundidade — é mais por indecisão mesmo.
O cineasta norueguês Tommy Wirkola — sim, o mesmo responsável por transformar o Natal em pancadaria em Noite Infeliz (Violent Night, 2022) com David Harbour, — parece ter escrito o filme jogando subtramas para o alto e pegando as que caíram no colo. O resultado é um filme que não sabe qual tom seguir, qual personagem acompanhar ou qual ideia desenvolver — então tenta fazer tudo ao mesmo tempo e não acerta nada.
Dakota (Whitney Peak) é uma adolescente agorafóbica vivendo sozinha na casa dos pais falecidos. Mas logo aparece Lisa (Phoebe Dynevor), grávida, cujo carro é arrastado pela maré alta até a porta de Dakota — era o que faltava para sua bolsa estourar, porque sutileza não existe aqui. E como se estar ilhada numa enchente já não fosse ruim o suficiente, as duas ainda precisam lidar com tubarões famintos.
Diante disso, você poderia pensar que elas seriam as protagonistas, mas não: os tubarões estão mais interessados em aterrorizar três órfãos destemidos — Dee (Alyla Browne), Ron (Stacy Clausen) e Will (Dante Ubaldi) — e seus pais adotivos sem graça, Billy (Matt Nable) e Rachel (Amy Mathews). As crianças não têm personalidade, os adultos só sabem xingar, e o filme insiste em acompanhá‑los como se fossem essenciais para a trama. Não são.
As cenas com as crianças ao menos dão uma pausa nos diálogos intermináveis e nas piadas que caem mais rápido que o nível da maré. Já o Dr. Dale (Djimon Hounsou), tio de Dakota e especialista em tubarões, tenta salvar o filme com carisma, mas é sabotado por falas grotescas.
O maior problema é que “Ataque Brutal” não se decide: quer que torçamos por Dakota e Lisa? Ou quer que vibremos quando Billy vira petisco de tubarão? O filme tenta fazer as duas coisas ao mesmo tempo e acaba não fazendo nenhuma direito. É muita coisa acontecendo e pouca coisa valendo a pena.
O filme é tão irregular que parece mais longo do que realmente é. Ele não aproveita bem seus atores, nem sua premissa, porque você nunca chega a se importar de verdade com ninguém.
No fim, “Thrash – Ataque Brutal” tenta ser engraçado, tenso, dramático e irônico ao mesmo tempo — e acaba sendo só… molhado. Muito molhado. É um filme que poderia ter sido divertido, mas se perde entre piadas que não funcionam, personagens que não engajam e tubarões que mereciam um agente melhor.
















