The Mortuary Assistant (por Casal Doug Kelly)

The Mortuary Assistant (2026), longa-metragem estadunidense de terror sobrenatural, distribuído pela A2 Filmes, estreia, oficialmente, nos cinemas brasileiros, a partir de 09 de abril de 2026, com classificação indicativa 16 anos e 100 minutos de duração.

Ah, o necrotério. Esse spa silencioso onde ninguém reclama, ninguém discute e todo mundo está… digamos… muito relaxado. Você pensaria que um lugar cheio de corpos em vários estágios de “pronto para velar” seria o cenário perfeito para filmes de terror, mas Hollywood insiste em preferir florestas, porões e casas com portas que rangem. Pois bem: “The Mortuary Assistant” finalmente decidiu voltar para o óbvio.

Baseado no jogo indie de Brian Clarke, o filme dirigido por Jeremiah Kipp traz Willa Holland e Paul Sparks para brincar de “vamos ver quem pisca primeiro com o demônio”. E olha, o filme já começa com cadáver se contorcendo, demônio engatinhando e procedimentos funerários que fariam qualquer um reconsiderar a carreira. Inclusive, descobrimos que existe um método oficial para fechar a boca de um morto com arame — algo que não sabíamos que precisávamos saber, mas agora que sabemos, não conseguimos esquecer. A trama, por trás da necrocoreografia, aborda uma metáfora sobre vício e trauma que funciona, se observarmos com atenção.

O filme presta uma homenagem fiel ao jogo, especialmente no design das criaturas. Contudo é importante dizer que, algumas coisas que foram adaptadas entre os formatos, prejudicaram, um pouco, o entendimento de determinadas atitudes da protagonista, as fazendo parecer repentinas e pouco explanadas.

O ritmo é construído de forma irregular. No começo, achamos que o filme estava com pressa, tipo estudante que deixa o trabalho para a última hora. Mas aí veio uma cena entre Rebecca e sua madrinha que deu uma elevada no tom. Porém, depois da primeira hora, a obra entra no modo “videogame demais”, e Rebecca fica andando pelos corredores como se estivesse presa em um labirinto de loading eterno. O que seria um puzzle divertido no jogo vira uma sequência cansativa de “olha, mais um trauma!”. A essa altura, já se espera que o demônio entregue um mapa para acompanharmos.

No fim das contas, “The Mortuary Assistant” pode ser considerado um bom filme. Não perfeito, não revolucionário, mas bom. Se você quer uma adaptação que respeita o jogo, está no lucro. Se você gosta da profissão funerária e de demônios (um combo de nicho, mas ok), vai se sentir em casa. E se você só quer ver um filme atual que usa necrotério como cenário principal… parabéns, sua hora chegou!

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