
Tatame (Tatami, 2023), longa-metragem de drama, coprodução Reino Unido, EUA e Geórgia, distribuído pela Kajá Filmes, estreia, oficialmente, nos cinemas brasileiros, a partir de 02 de abril de 2026, com classificação indicativa 14 anos e 104 minutos de duração.
“Tatame” é o tipo de filme que chega chutando a porta — literalmente, porque é sobre judô — e já avisa: “senta, respira e aceita que vai doer”. É o primeiro longa codirigido por Guy Nattiv e Zar Emir Ebrahimi, que não só dirige como também interpreta Maryam, a treinadora mais exausta, determinada e emocionalmente destruída que você vai ver este ano. É um thriller esportivo, político, feminista e tenso do primeiro ao último frame — tipo um “Rocky” iraniano, só que sem homem gritando e com muito mais risco de execução estatal.
A história se passa no campeonato mundial de judô em Tbilisi, na Geórgia — porque nada diz “drama internacional” como colocar iranianos, israelenses e uma ditadura inteira brigando no tatame. Leila (Arienne Mandi, absolutamente magnífica) está indo muito bem na competição, até que a Federação Iraniana de Judô e, logo depois, a própria República Islâmica decidem que ela deve desistir. Por quê? Porque ela pode enfrentar uma atleta israelense. E se perder, o Irã passa vergonha. E se ganhar, passa vergonha também.
A solução deles? Ameaçar a família da atleta, manipular, chantagear, violar todas as regras esportivas e éticas possíveis — tudo para impedir que uma mulher lute. Porque, claro, nada assusta mais um regime autoritário do que uma mulher com autonomia e um bom ippon.
Nattiv e Ebrahimi filmam tudo em preto e branco, com aquela estética fria e elegante que faz você pensar “isso aqui é arte, mas também é porrada”. A tensão entre política e esporte é tão bem construída que você fica suando como se estivesse no tatame. Leila é uma amazona moderna, sendo derrubada, estrangulada, projetada — e levantando de novo, porque desistir não está no vocabulário dela. Maryam, por outro lado, é um poço de ambiguidade: quer liberdade, mas tem medo; quer lutar, mas já apanhou demais da vida. Vive sua revolução por tabela, através da pupila.
As duas são guerreiras solitárias tentando sobreviver a um sistema que quer esmagá-las. E o filme faz questão de mostrar isso com câmeras que grudam no corpo de Leila, registrando cada hematoma, cada respiração, cada gota de suor que vira símbolo de resistência. É quase um documentário sobre como transformar o próprio corpo em arma política.
O cenário é claustrofóbico: corredores estreitos, escritórios sombrios, academias mal iluminadas. Parece que todo mundo está preso num labirinto burocrático e emocional — e, de certa forma, estão mesmo. Não há trilha sonora épica; o que guia o filme são os comentários esportivos, secos e impessoais, contrastando com o drama absurdo acontecendo nos bastidores.
E o final? Nada de vitória hollywoodiana com música triunfal. “Tatame” escolhe a ambiguidade — aquela vitória amarga, cheia de cicatrizes, que te deixa pensando “ganhou… mas a que custo?”. É corajoso, é honesto e é muito mais real do que qualquer final feliz plastificado.
No fim das contas, “Tatame” é um filme que te dá um mata-leão emocional e não solta até você admitir que está impressionado. É político sem panfleto e intenso sem melodrama. Mas, acima de tudo, é um lembrete de que, às vezes, lutar é a única forma de existir. Então lembre-se que, quando o sistema tentar te derrubar, a resposta certa é simples: levante e lute de novo!
















