
Por algum motivo inexplicável, os críticos de cinema geralmente não conseguem entender o apelo dos videogames. Seja pela cultura que considera as adaptações antigas de baixa qualidade ou por acreditarem que o cinema é uma forma de arte superior, ainda vemos críticas de jornalistas profissionais afirmando que algo como o filme do “Super Mario Bros.” (1993) é um fracasso artístico.
Na contramão deles, farei minha análise. Não porque pretendo afrontá-los, mas sim, porque a forma de enxergar a presente adaptação depende do conteúdo que cada pessoa pretende consumir ou de quem é seu principal público alvo (crianças, adultos nostálgicos e gamers).
Não quero me aprofundar muito na trama de “Super Mario Bros.: O Filme” (The Super Mario Bros. Movie, 2023), mas sejamos honestos: nenhum dos jogos do Mario se destaca nesse quesito, incluindo os RPG´s. Com uma duração concisa de 87 minutos, a história começa no Brooklyn, em Nova York, onde os irmãos Mario (Chris Pratt) e Luigi (Charlie Day) são jovens encanadores corajosos e ambiciosos, que acabaram de deixar o emprego na empresa Wrecking Crew, de Spike (Sebastian Maniscalco), para abrir seu próprio negócio. Spike acredita que a dupla vai fracassar, e essa ideia é reforçada quando até o próprio pai dos bigodudos diz que estão fadados ao fracasso.
Depois que um trabalho dá errado por causa de um cachorro feroz, Mario fica deprimido. Quando Luigi tenta animá-lo após um jantar em família, Mario vê uma reportagem sobre uma enchente nas ruas do Brooklyn. Os dois correm para salvar a cidade, mas acabam sendo sugados por um cano misterioso que os transporta para o Reino Cogumelo, lar dos Toads, Koopas, Goombas e da princesa Peach (Anya Taylor-Joy). Para surpresa de muitos, a história não gira em torno de Mario e Luigi salvando a Princesa Peach, e sim, desta defendendo seu reino.
É evidente que existe um ângulo narrativo em que Mario quer provar seu valor para sua família e seu irmão, mas isso acaba sendo deixado de lado em prol da luta de Peach contra Bowser (Jack Black). Luigi recebe pequenos vislumbres de sua história, mostrando como seu irmão sempre o protegeu, mas esse fio condutor não leva a lugar nenhum. Antes que você pense que isso é apenas uma preparação para o desfecho do filme, não é! Há simplesmente muita coisa acontecendo para que algo realmente se destaque. Entre elas, Toad (Keegan-Michael Key) ou a visita de Peach ao Reino Kong para recrutar as forças de Cranky Kong (Fred Armisen) e seu filho Donkey Kong (Seth Rogen).
Inspirando-se em “Super Mario Sunshine” do Game Cube, Bowser simplesmente quer uma esposa para governar o mundo ao seu lado. Embora ele tenha uma visão distorcida de como conseguir isso, – o que o leva a se tornar um vilão – é difícil não sentir pena do grandalhão.
Mas uma coisa é certa: não se pode e nem se deve analisar uma obra como esta minuciosamente, pois a maneira justa de descrever “Super Mario Bros.: O Filme” é a própria definição de um filme pipoca. É aquele filme para levar as crianças, comprar um balde grande de pipoca para dividir com a pessoa amada e simplesmente sorrir com todas as referências divertidas. Depois que você sai do cinema, esquece o filme e segue com a sua vida. É um entretenimento inofensivo que pode ser um pouco irritante por chegar tão perto de ser ótimo, mas que não merece nenhum desprezo ou ódio.
Para a maioria dos fãs, todas as inconsistências do enredo e referências (as vezes forçadas) não vão importar. O que importa é que puderam ver seus ícones favoritos dos jogos na telona em um filme que pelo menos presta homenagem ao legado dos irmãos encanadores.
No geral, “Super Mario Bros.: O Filme” não vai entrar para a história como um dos maiores clássico da animação. Também não será a melhor adaptação de videogame já feita. Contudo, ainda que se critique algumas decisões da história e eventual superficialidade do enredo, o longa ainda possui charme e qualidades suficientes para valer a pena assistí-lo.
















