
Sr. Blake ao Seu Dispor (Complètement Cramé! AKA Mr. Blake At Your Service, 2025), longa-metragem francês dramático, distribuído pela Mares Filmes, estreia, oficialmente, nos cinemas brasileiros, a partir de 18 de setembro de 2025, com classificação indicativa 12 anos e 110 minutos de duração.
“Sr. Blake ao Seu Dispor” parte de uma situação quase absurda — um empresário inglês que, ao chegar a uma propriedade francesa, é confundido com o novo mordomo — e transforma esse equívoco em ponto de partida para um filme que aposta no charme dos personagens e no carisma de John Malkovich.
Blake é homem que, após perder a esposa, busca um lugar que o conecte a lembranças melhores, mas acaba mergulhando em uma rotina inesperada, cercado por figuras que carregam suas próprias dores e dificuldades.
O filme abraça esse encontro entre mundos com um humor discreto, sempre apoiado na estranheza do protagonista diante das tarefas domésticas e na convivência com pessoas que, cada uma à sua maneira, parecem presas a situações que não sabem como resolver. A dona da casa ainda vive sob o peso da ausência do marido; o jardineiro não consegue sequer conversar com a cozinheira; e uma jovem grávida surge como alguém que precisa de abrigo e compreensão. Nada disso é tratado com pressa ou com grandes viradas dramáticas. O interesse está justamente na maneira como essas relações se transformam aos poucos, sem grandes discursos.
Malkovich, falando francês com um sotaque assumidamente carregado, é o centro de tudo. Isso pode exigir certa paciência do público, mas é importante ressaltar que o ator encara o desafio com humor e entrega um personagem que conquista pela excentricidade e pela maneira como tenta se adaptar a um papel que não domina. Há algo curioso em vê-lo circular pela casa, tentando cumprir tarefas que claramente não fazem parte de sua experiência, enquanto observa o cotidiano dos outros moradores e tenta, de algum modo, reorganizar o que encontra.
Fanny Ardant e Émilie Dequenne completam o trio principal com atuações que reforçam a atmosfera de delicadeza. Elas ajudam a dar corpo a esse pequeno universo, no qual cada personagem parece preso a um estado de inércia que só começa a se desfazer com a chegada do inglês desajeitado. Como já dito, o filme não busca grandes arcos dramáticos, preferindo pequenas situações que revelam algo sobre cada um deles, sempre com um toque de humor leve.
A produção é cuidadosa e entrega exatamente o que promete: uma história afetuosa, conduzida sem pressa, com personagens que despertam simpatia e alguns momentos capazes de arrancar um sorriso sincero. Não é uma comédia escancarada, tampouco um drama carregado. É um filme que aposta na convivência entre figuras diferentes, no choque cultural tratado com suavidade e na capacidade de pequenos encontros transformarem rotinas desgastadas.














