Sorry, Baby (por Peter P. Douglas)

Sorry, Baby (2025), longa-metragem dramático, coprodução Espanha, Estados Unidos e França, distribuído pela Mares Filmes e Alpha Filmes, estreia, oficialmente, nos cinemas brasileiros, a partir de 11 de dezembro de 2025, com classificação indicativa 14 anos e 103 minutos de duração.

Se existe um tema central em “Sorry, Baby” — o primeiro longa-metragem da diretora, roteirista e atriz Eva Victor — é a banalidade das coisas terríveis.

Tradicionalmente, a maioria dos filmes gosta de insistir em mostrar ao público que os desastres invadem nossas vidas com raios e gritos, ao som de músicas comoventes. A verdade é que a maioria das piores coisas que acontecem aos humanos simplesmente se infiltra silenciosamente — e aleatoriamente — em nossas vidas e vai se dissipando aos poucos. O filme é extremamente eficaz em capturar a natureza lenta, insidiosa e silenciosa desses eventos.

Ambientado em uma cidade universitária rural de Massachusetts, a trama gira em torno de Agnes (interpretada pela diretora), sua melhor amiga Lydie (a sempre encantadora Naomi Ackie), um vizinho socialmente desajeitado chamado Gavin (Lucas Hedges) e um elenco de personagens, em sua maioria desagradáveis, da universidade local. Menção especial para Kelly McCormack, que usa seu rosto extremamente expressivo para transformar Natasha, a nêmesis de Agnes, em uma figura hilária.

O longa aborda violência sexual, desequilíbrios de poder, superação de traumas e os laços emocionais que nos sustentam. Mas seu tom nunca se afasta do cotidiano, em parte devido à natureza pragmática de Agnes. A rotina diária convive com a dor do evento traumático que está no centro de sua história. Amizades e relacionamentos sexuais são retratados de forma natural e verossímil. As interações com estranhos são consistentemente estranhas e conferem um humor sutil à narrativa.

O que é menos óbvio no filme é que também se trata de uma história de amadurecimento em estágio avançado. Narrado por meio de saltos temporais não lineares, o filme mostra Agnes e Lydie caminhando com dificuldade até o fim da pós-graduação e emergindo na vida adulta pós-universitária em busca de seus próprios caminhos. Essas mulheres são, sem dúvida, adultas, embora ainda não tenham se descoberto completamente, nem compreendido o mundo ao seu redor. No fim, seus roteiros pessoais emergem simplesmente porque elas conseguem continuar seguindo em frente, um passo de cada vez, independentemente dos desafios que enfrentam.

Para quem já passou pelos percalços dos 20 e poucos anos, “Sorry, Baby” oferece poucas revelações, além de um roteiro inteligente e um diretor estreante muito promissor. Onde o filme encontrará maior ressonância e público será entre os jovens que ainda estão descobrindo os desafios e injustiças da vida adulta.

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